O crescimento populacional de Londrina impõe alguns desafios às políticas públicas que norteiam a expansão da cidade. Na opinião da professora-doutora Tânia Maria Fresca, do departamento de Geociências da UEL, o município precisa que o novo Plano Diretor seja aprovado, indicando novos locais para expansão. Além disso, ela critica a especulação imobiliária exagerada que resulta em grandes áreas vazias próximas ao Centro da cidade.
Tânia revelou que dados aproximados e não oficiais dão conta que um terço da cidade é formada por vazios urbanos. ''As pessoas compram terrenos e esperam valorizar. Com isso, a população de menor poder aquisitivo acaba se estabelecendo em bairros cada vez mais distantes, onde os lotes são mais baratos, mas em regiões desprovidas de infra-estrutura'', criticou.
Segundo ela, boa parte dos vazios urbanos são terrenos passíveis de loteamento ou construção de edifícios que poderiam atender à demanda por habitação. ''A retenção de terras sem ocupação aumenta o preço dos imóveis'', disse.
O diretor-presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), João Baptista Bortolotti, concorda que a especulação imobiliária é uma das responsáveis por levar a população de baixa renda a morar em regiões distantes. Segundo ele, um dos mecanismos para regular essa questão é a desapropriação compulsória, prevista no Estatuto das Cidades e que será colocada em prática após a aprovação do Plano Diretor.
O estatuto prevê que a prefeitura poderá desapropriar lotes vazios e construções sem uso após cinco anos de aplicação do IPTU progressivo (quando o valor do imposto aumenta ano a ano para imóveis sem uso). Os proprietários serão pagos com títulos de dívida pública, cujo prazo de recebimento é de aproximadamente dez anos. ''É um péssimo negócio para os donos dos lotes'', avaliou. (C. A)

mockup