Espécies invasoras e exóticas começaram a ser retiradas ontem dos parques da região da Cidade Industrial de Curitiba. A previsão, de acordo com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, é que as árvores sejam substituídas por aproximadamente 30 mil mudas de 30 diferentes espécies características da região. O objetivo é garantir em Curitiba a presença de árvores nativas da Floresta com Araucárias (leia mais sobre as árvores nativas da Capital no caderno Curitiba).
"A segunda maior causa da perda de biodiversidade é a invasão por espécies exóticas. A primeira é o homem. É desleal, as (espécies) invasoras são muito mais vigorosas que as nativas", explica a agrônoma da secretaria, responsável pelo Programa de Biodiversidade Urbana - Biocidade, Erica Costa Mielke. As árvores retiradas apresentam crescimento rápido, alta capacidade de regeneração e causam problemas à biodiversidade, pois não precisam de muitos cuidados para sobreviver. As espécies nativas sofrem com a competitividade e ficam enfraquecidas pela falta de nutrientes. A fauna também é afetada, pois modifica seus hábitos alimentares ou deixa de comer pela falta de opção de novos frutos.
Entre todas as árvores nativas de Curitiba, 5% estão presentes nos parques. O restante encontra-se em pequenas quantidades em quintais e ruas. Em parques como o do Barreirinha, toda a área está tomada por espécies invasoras. A presença prejudicou o crescimento de árvores nativas devido a um produto químico liberado pela planta. "Daqui a 50 anos, se deixarmos, não teremos mais espécies nativas", alerta Erica.
A prioridade é a retirada de 6,7 mil exemplares das espécies alfeneiro, uva do Japão, pinus, cinamomo -ou santa bárbara-, pau de incenso, amora-preta e eucalipto, que foram plantadas durante a imigração. Essas árvores também foram utilizadas nas unidades de conservação como ornamentais, antes de descoberto seu potencial invasor. Para cada árvore retirada, serão plantadas cinco novas mudas de espécies nativas como pinheiro, ipê amarelo, canela, araçá, pitanga, guabiroba e outras.
A ação é resultado do Decreto Municipal 473/2008. Além de retiradas dos parques, as espécies invasoras não serão mais produzidas nos viveiros municipais. A responsável pelo projeto afirma que também é necessário o envolvimento da comunidade, que inicialmente se espanta com o corte das árvores mas entende o motivo da ação. "Tem que tratar da qualidade do meio ambiente. Não adianta ter árvore só por ter", diz.
Durante esta semana, o trabalho será realizado nos parques Tropeiros, Caiuá e Diadema, na CIC. A previsão é atender às 33 unidades de conservação municipais. Até o final do ano, a retirada será feita ainda nos parques
Zaminelli e Fazendinha e no Jardim Botânico. Já foram atendidos os parques Tanguá, das Nascentes, bosques São Nicolau, do Trabalhador, Pilarzinho e Boa Vista. A retirada das espécies não utiliza herbicidas. Todos os resíduos serão triturados e utilizados como fonte de energia.

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