Espécies ainda não foram substituídas
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quarta-feira, 14 de março de 2007
Guilherme Borges<BR>Reportagem Local 
Novas árvores ainda não foram plantadas no fundo de vale do Córrego Água Fresca, atrás da estação da Sanepar da Avenida Juscelino Kubitschek. Em novembro de 2006, a FOLHA noticiou a revolta de moradores com o corte de 40 espécies do local. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema) justificou, na época, que as árvores erradicadas eram exóticas e algumas estavam comprometidas.
Quase quatro meses depois, novas mudas de espécies nativas - como havia sido divulgado que seria plantado - não substituiram as erradicadas. ''Na época as crianças e jovens ficaram horrorizados e agora, sem explicação nem árvore alguma, eles ficam sem saber o que pensar. Complica para a gente desenvolver um trabalho de conscientização e educação ambiental assim'', afirma o presidente do Grupo Escoteiro Verde Vale, Régis Martins Matióli.
Além da ausência das plantas, ele critica a dificuldade de comunicação com órgãos ambientais do município. ''Eles são muito impessoais. Cortaram sem avisar e depois nem disseram por que fizeram a erradicação. Não orientam o que podemos fazer e como ajudar.'' Matióli lembra que o próprio grupo plantou algumas mudas e que poderia realizar um trabalho maior em parceria com organizações ambientais da cidade. ''Mas falta essa integração com quem é responsável pelo setor em Londrina''.
O secretário municipal do Ambiente, Gerson da Silva, explicou que duas mil mudas foram plantadas pelo Colégio Universitário ao longo da bacia. ''Acontece que as mudas ainda estão pequenas e a população só percebe as árvores novas quando já estão com quatro metros, em média. Não dá para cortar uma árvore enorme e querer outra semelhante no lugar, isso leva um tempo''.
Ele ainda completa que, desde que assumiu a Sema, no começo do ano, não tem recebido grupos de moradores interessados em participar de ações de preservação. ''Recebi apenas o pessoal de uma associação de moradores. Meu gabinete está sempre aberto, apenas não temos como sair perguntando a cada morador se podemos ou não realizar intervenções que julgamos necessárias''.
A promotora de Defesa do Meio Ambiente de Londrina, Solange Vicentin, que na época foi consultada pela reportagem, afirmou que realmente novas mudas não foram plantadas no mesmo local das árvores erradicadas, porque um projeto de recuperação do Córrego Água Fresca está sendo organizado. ''São ações maiores que estão sendo analisadas. Mas existem outras mudas que até já estavam plantadas lá''.
Ela destacou que um dos projetos que está sendo implantado vai envolver as escolas de determinadas bacias hidrográficas municipais para os trabalhos de educação e preservação ambiental. ''A bacia do Água Fresca é onde será realizado o piloto do projeto, inclusive, e a comunidade está convidada a participar''.


