Espécie é de segunda linha, diz pescador
''O armal (um dos nomes pelo qual o armado é conhecido entre os pescadores - o outro é abotoado) é um peixe de segunda classe, cresceu na região (bacia do rio Paraná I) porque não tinha mais nada. Quando tinha peixe de verdade, nem os índios queriam e ele é usado apenas como isca para pegar outras espécies''. A afirmação é do presidente da Associação dos Pescadores e Lavradores do rio Paraná, Otávio Pereira Cândido - entidade com sede em Porto Rico (região Noroeste).
Segundo Cândido, até o início dos anos 80, essa espécie era inexistente na região. ''Só tinha para baixo, a barreira natural eram as Sete Quedas. Quando fizeram a Itaipu, alagou tudo e o armal subiu'', conta. Na década de 90, com a construção da Usina Sérgio Motta (Cesp/SP), os grandes peixes migradores - dourado, pintado, piapara, entre outros - sofreram drástica redução em função da escassez das cheias.
O líder dos pescadores desdenhou da intenção da Sema de repovoar a região com armado. ''Pode dizer aí que o pescador quer peixe bom. Se não der para trazer dourado e pintado, que são espécies frágeis, que seja curimba, pacu ou piracanjuva, que aguentam melhor''.
Um dos principais problemas do armado, segundo Cândido, é o baixo preço obtido na venda. Como se trata de uma espécie pouco apreciada pela população, o valor pago pelas peixarias não chega a R$ 2 o kilo - contra R$ 10 do dourado e do pintado. (F.C.)





