Espécie de peixe faz controle em lago
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quinta-feira, 10 de abril de 1997
Antônio França Sucursal Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaPeixe migradorTécnicos capturam exemplares de armado para fazer pesquisas O armado, uma espécie de peixe encontrada de Foz do Iguaçu até Guaíra, e desprezada há alguns anos pelos pescadores, está ajudando no controle de plantas aquáticas no Lago de Itaipu, no Rio Paraná, fronteira entre Brasil e Paraguai. O lago foi formado para impulsionar as turbinas da hidrelétrica na produção de energia elétrica e abriga várias espécies.
Segundo estudos feitos pela Universidade de Maringá, que mantém um convênio com a Itaipu, esse peixe migrador é onívoro e se alimenta de quase tudo que encontra na água. Devido a esses hábitos alimentares, a Itaipu está fazendo experiências com o armado para confirmar se ele está eliminando o excesso de plantas aquáticas em alguns pontos do reservatório.
As plantas, segundo a binacional, podem comprometer a qualidade da água, que precisa estar sob constante monitoramento. Na análise dos estômagos dos armados capturados foram encontrados, principalmente, moluscos, algas grandes, folhas e detritos.
Conforme a bióloga Carla Canzi, que desenvolve experiências num tanque do Refúgio Biológico Bela Vista, se as suspeitas forem confirmadas, o armado também poderá ser usado na limpeza de tanques de piscicultura e pequenos lagos. Segundo ela, o peixe criado em cativeiro é dócil e costuma pegar alimento nas mãos dos tratadores.
A bióloga cita como desvantagem a dificuldade na reprodução em cativeiro. Pouco se conhece sobre a fase embrionária do armado e isso dificulta, disse. Segunda ela, quando o armado está confinado, dificilmente chega a um estágio ideal para reprodução artificial. Mesmo assim, ela defende a continuidade da pesquisa, que poderá ser solução para limpeza de lagos e rios.
Desprezado Antes da formação do lago, o armado era uma espécie pouco encontrada na região. Isso fazia com que pescadores devolvessem o peixe capturado ao rio. No entanto, 14 anos depois, o armado já é encontrado em grande quantidade no lago da usina de Itaipu, chegando a 35 toneladas por mês na pesca comercial.
A espécie relegada passou a ser comercilizada em filé, em grande escala. Os maiores consumidores são os paraguaios, que apreciam sabor mais acentuado e uma carne bem mais resistente que a maioria dos peixes. Na idade adulta, a espécie pesa até 5 quilos.
Uma das vantagens, segundo o veterinário da Itaipu, Domingo Rodriguez Fernandez, é que o armado pode ser mantido vivo em confinamento por até 3 dias. Com isso, os pescadores economizam no gelo para a conservação dos peixes fisgados, afirma o veterinário.


