Especialistas pesquisam surto em Antonina
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2001
Erika Wandembruck<bR>De Curitiba 
Quatro médicos da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, chegaram ontem em Antonina, Litoral do Estado, para descobrir se a água distribuída no município está sendo a fonte de contaminação que vêm causando o surto de diarréia nos moradores. Ontem mesmo, eles iniciaram uma investigação epidemiológica, entrevistando parte dos 622 infectados, na tentativa de identificar o agente causador do surto.
A equipe também percorreu a Estação de Tratamento de Água do município para verificar se os procedimentos adotados estão dentro das normas do Ministério da Saúde. Hoje, devem ser divulgados os resultados das análises em amostras de água e fezes que foram encaminhados no início da semana, pela Secretaria Estadual da Saúde, ao Instituto Adolpho Lutz, em São Paulo, e ao Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. A hipótese mais provável é de que a contaminação tenha sido provocada pelos protozoários cyclospora ou crysptosporidium. O primeiro é encontrado em fezes humanas e o segundo, de animais.
Para o médico sanitarista Natal Jataí Camargo, da Secretaria Municipal da Saúde, que também investiga a epidemia ''está praticamente confirmado que a contaminação vêm ocorrendo pela água''. O diretor do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Antonina - que é uma autarquia da prefeitura, Paulo Roberto Broska, também admitiu que a hipótese mais provável, segundo especilistas, é que o agente causador esteja no produto.
''O nosso sistema de tratamento segue o que determina os padrões de potabilidade da Portaria 26 do Ministério da Saúde. O que acontece é que o microorganismo está se mostrando resistente ao cloro e processos tradicionais de filtração'', afirmou Broska.
Para Jataí de Camargo, caso os laudos confirmem que a fonte de contaminação é a água encanada, o município terá de mudar o sistema de tratamento e o Ministério da Saúde, as leis. ''As leis mudam de acordo com os crimes'', disse. Na opinião dele, o microorganismo pode estar passando pelo filtro de areia e quando vai para o cloro, o produto não está conseguindo eliminá-lo. Uma saída é usar o sistema de floculação, que usa um tanque onde é posto hidróxido de alumínio, que puxa o protozoário para o fundo. ''Assim, quando a água passar pelo filro não terá o agente'', explicou.


