Especialistas na área de transporte criticam implantação de metrô
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de abril de 2002
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A falta de uma discussão mais aprofundada com a sociedade civil organizada e população em geral e a ausência de um projeto amplo e fundamentado que justifique a implantação de um metrô de superfície ao longo da BR-116 foram as principais críticas feitas, ontem, por vereadores e especialistas na área de transportes de vários estados. Eles participaram de um seminário sobre transporte coletivo, realizado na Câmara Municipal de Curitiba. Nenhum representante da prefeitura compareceu ao evento, apesar de terem sido convidados a participar para explicar o projeto municipal.
A maioria dos especialistas entende que a prefeitura deveria, em vez do metrô, implantar um sistema semelhante ao de Bogotá, capital da Colômbia. A BR tem que ser pensada como uma reserva viária para desviar o trânsito da área urbana, enquanto a cidade tem que ser repensada para o seu transporte. O alto custo do metrô significa um risco muito grande para a cidade, que tem muitas necessidades e não tem dinheiro nem discussão suficientes para saber se o metrô naquele lugar vai resolver, afirmou o professor Garrone Reck, do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Reck participou junto com 25 especialistas de vários países na elaboração de uma alternativa de sistema de transporte para Bogotá. Outro participante da equipe, Pedro Álvaro Szasz, consultor em Engenharia de Transporte e Trânsito de São Paulo, acredita que o metrô elevado é aconselhável para cidades pequenas, como as japonesas, que necessitam de sistemas que ocupem pouco espaço. É uma solução típica para atravessar trechos urbanos em regiões de muita densidade, mas é um desperdício de dinheiro fazer esse metrô na BR, que tem bastante espaço para outras alternativas, disse.
Até agora a prefeitura não apresentou justificativas técnicas que expliquem o porquê de fazer o metrô na BR-116. Só disse que foi sugestão do governador Jaime Lerner, criticou também o arquiteto Luiz Forte Neto, ex-presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) em duas gestões e adversário político do PFL, partido do governador e do prefeito Cassio Taniguchi. Para Forte Neto, a implantação de um transporte de massa em uma área periférica, marcada por indústrias, comércios e serviços, como é a BR-116, não conseguirá expandir a cidade para aquela área nem integrar a região metropolitana, como prega a prefeitura.


