Especialistas estudam combate à dor
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de agosto de 1998
Luciane Tonon 
Dorico da SilvafMistérioPlenário do Encontro sobre a Dor: Temos que colher a história da dor, se é orgânica ou emocionalA dor está em praticamente todas as doenças, mas nunca foi valorizada como deveria, afirmou o neurologista Pedro Garcia Lopes durante o 3º Encontro Paranaense sobre Dor, realizado durante o final de semana no anfiteatro da Associação Médica de Londrina. Cerca de 150 médicos de Londrina e região participaram do evento.
O encontro teve por objetivo despertar o interesse para a dor, já que 70% dos pacientes que procuram médicos o fazem por esta motivo. A mais comum é a dor de cabeça. Entre 90% a 95% dos pacientes sentem este tipo de dor, independentemente de outras dores ou doenças. Segundo Lopes, no Norte do Estado praticamente não existe especialistas em dor. Precisamos de serviços multidisciplinares, fisioterapeutas, psicólogos, neurocirurgiões, anestesistas e enfermeiros para agirem diretamente na dor, que é uma área ampla, disse.
Desde o ano passado, segundo ele, há em Londrina uma mobilização para a criação de uma equipe multidisciplinar. Por enquanto, já temos um ambulatório de dor na própria Universidade Estadual de Londrina, ressaltou Lopes.
Ele explicou que existem basicamente dois grupos de dor, que precisam de maior dedicação. A dor rebelde é aquela que não passa com o tratamento, muda-se a medicação e ela continua, nada a faz passar. E o segundo tipo é a dor crônica, que é a própria doença, como o câncer, por exemplo.
O encontro foi coordenado por diversos profissionais do País. Eles falaram sobre tipos de dor; fisiopatologia e neurofisiologia; dor pós-operatória; dor em câncer; técnicas no tratamento de dor; acupuntura, entre outros. Grande destaque foi dado sobre a dor em criança.
A dor tem componente sensorial e emocional. A pediatria trata da criança desde o nascimento até os 20 anos, se for preciso. Portanto, é fundamental que o profissional saiba o mecanismo da dor para conseguir tratar a criança, disse o pediatra Milton Macedo de Jesus. Segundo ele, o recém-nascido já começa ter sensação dolorosa quando inala o oxigênio pela primeira vez.
Temos que acabar com conceitos de que se o indivíduo está com dor, toma um analgésico. Temos que colher a história da dor, se é orgânica ou emocional, sua intensidade ou ocasião, explicou o pediatra. Ele disse que uma dor que aparentemente não apresenta gravidade nenhuma pode ser muito mais complicada do que se imagina. Já vimos casos de crianças com dores nos membros e os pais diziam que eram dor de crescimento. Depois foi diagnosticado que a criança estava com tumor.


