O modelo privatizado de presídios adotado pelo Paraná recebeu muitos elogios e raras críticas de especialistas em sistema penitenciário de todo o País, que anteontem visitaram a unidade de Guarapuava. O grupo esteve no Estado para participar, em Curitiba, de um seminário nacional sobre a aplicação de penas alternativas.
Todos aprovaram a estrutura e o funcionamento da unidade. Sem muralhas – apenas com cercas –, o presídio é limpo e bem pintado. As celas são ocupadas por apenas dois homens, que usam uniforme, recebem kits com produtos de higiene e roupa de cama. Há uma ala com 12 quartos para a visita íntima.
‘‘Ao contrário daqui, o sistema estatal é ineficaz, sujo, com superlotação, promiscuidade, violência sexual, proliferação de doenças e ociosidade’’, afirmou o advogado criminalista Luiz Flávio Borges D‘Urso, presidente do Conselho de Política Criminal e Penitenciária do Estado de São Paulo. ‘‘Com certeza, o índice de reincidência aqui será infinitamente inferior.’’
Apesar de considerar o sistema caro, o presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciário, órgão do Ministério da Justiça, Ariosvaldo Campos Pires, acredita que ele pode ser estendido a outros Estados. ‘‘Precisamos avaliar o funcionamento desse sistema por, pelo menos, dois ou três anos’’, afirmou.
A principal crítica é em relação ao fato de que a indústria que atua no presídio se beneficia de uma mão-de-obra barata. Até por impedimento legal, a empresa não pode registrar o ‘funcionário’ e nem pagar os encargos sociais. (V.D.)

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