A diretora do Centro de Hematologia e Hemoterapia (Hemepar) do Estado do Paraná, Suely Voss, considera uma atitude discriminatória excluir os homossexuais da população potencialmebnte apta a doar sangue. ‘‘Quando a Aids começou a se alastrar no Brasil, a doença estava muito relacionada a grupos de risco, mas essa situação mudou’’, diz. A análise da evolução da doença mostra que hoje não há mais grupos de risco, mas sim comportamentos de risco. ‘‘Ser homossexual não significa que a pessoa usa drogas injetáveis ou que por isso tem vários parceiros’’, explica. ‘‘São situações que independem da preferência sexual’’.
Maria Cristina Assef, infectologista do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), acha que descartar o sangue dos homossexuais é uma atitude errada, principalmente se forem levadas em consideração as estatísticas do Ministério da Sáude. ‘‘Hoje sabemos que a epidemia está crescendo mais entre os heterossexuais’’, diz. No ano passado, por exemplo, 1.659 homens homossexuais foram infectados pelo HIV, enquanto entre os heterossexuais os casos chegaram a 1.889.
Segundo Maria Cristina, o fato de a pessoa ser homossexual não significa que ela terá mais chances de estar infectada. Para a especialista, o sangue só deve ser descartado quando a pessoa viveu algum comportamento de risco. Dados epidemiológicos da Secretaria Estadual da Saúde mostram que os casos de Aids atribuídos à transmissão homossexual caíram de 33.8% em 1993 para 16,7% neste ano.

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