''Cerca de 70% da população brasileira tem, já teve, ou terá algum tipo de problema no joelho''. A advertência é do ortopedista e especialista em cirurgia do joelho e medicina esportiva, Alexandre Queiróz, de Londrina, um dos organizadores do 1º Curso de Atualização de Cirurgia do Joelho. O evento reuniu, no final de semana, cerca de 200 profissionais que discutiram patologias, diagnósticos e tratamentos mais modernos, tanto em relação a medicamentos, como fisioterapia e cirurgia para a reabilitação total dos pacientes.
O ortopedista explica que não são apenas atletas profissionais ou de fim de semana que estão sujeitos ao risco. Atividades do dia-dia, como subir e descer escadas, agachar e entrar no carro, podem causar torções em qualquer pessoa problemas solucionados algumas vezes apenas com intervenção cirúrgica.
As lesões mais comuns, segundo Queiróz, são as de menisco e as ligamentares. O menisco, explica, é uma fibracartilagem que tem função de absorver, amortecer e distribuir a carga do corpo no joelho, quando a pessoa sobe escadas, gira ou agacha. Com o tempo o menisco pode se desgastar, mas também quando a pessoa está com sobrepeso, faz atividades físicas excessivas ou através de um trauma esportivo. ''Atividade física com muito peso e uso de tênis não adequado são fatores de risco, e também quando a pessoa faz exercícios acima de sua capacidade'', enfatiza.
Já a lesão do ligamento cruzado anterior é muito comum em atletas profissionais e causa grande incapacidade física, limitando caminhadas até mesmo dentro de casa. Segundo o médico, pode ser causado por um trauma indireto, quando, por exemplo, a pessoa está correndo e pára de uma vez, ou quando está correndo e pisa em falso. ''A pessoa sente que o joelho falseou'', exemplifica. A boa notícia, segundo o ortopedista, é que as cirurgias estão cada vez menos invasivas, como a videoartroscopia. ''O paciente faz a cirurgia e vai embora no mesmo dia, e um mês depois já está liberado para atividade física''.
As lesões ligamentares quando não tratadas podem se complicar e resultar em lesões de menisco e de cartilagem associadas. ''Pode acelerar o processo degenerativo, adiantando um quadro de artrose'', explica Queiróz. A artrose, segundo ele, é um processo degenativo, uma deformidade óssea, que aparece a partir da 5 década de vida.
Para evitar problemas no joelho, o especialista recomenda dois hábitos: evitar o sobrepeso, que força as articulações, e ter sempre a musculatura fortalecida, através da prática de exercícios regulares em local adequado, com vestimenta e tênis próprios. ''O sedentário que vai praticar exercícios só no final de semana, e quer 'tirar o atraso', força mais a articulação, e é aí que acaba se complicando''. O curso é um evento oficial da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho em parceria com o Instituto do Joelho de Londrina.

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