Especialistas debatem o lixo urbano
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quarta-feira, 23 de julho de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Neuro KrackerO programa Câmbio Verde, desenvolvido em Toledo, será mostrado no seminário sobre coleta seletivaEspecialistas de vários países estarão reunidos de hoje a sábado em Cascavel no Seminário Internacional sobre Coleta Seletiva e Reciclagem de Resíduos Sólidos Urbanos. O evento está sendo organizado por quatro fundações tecnológicas do Oeste paranaense, com apoio de órgãos nacionais e internacionais.
O lixo é questão de saúde pública cada vez mais preocupante, observa o químico Mário Bracht, presidente da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Cascavel (Fundetec). No Brasil, cada pessoa gera em média 500 gramas diárias de lixo e apenas um quarto do volume total de dejetos residenciais recebe algum tipo de tratamento em aterros. O restante vai para lixões a céu aberto, frisa Bracht. No Paraná, apenas 5% do lixo é coletado seletivamente, com a separação dos materiais para reciclagem. Mais preocupante é o lixo hospitalar, pois cada leito gera diariamente cerca de 1,5 quilo de dejetos que geralmente acaba sendo depositado em locais abertos.
Os participantes do seminário conhecerão experiências nacionais e internacionais na coleta seletiva e reciclagem. Sobre a América Latina, os relatos serão feitos por Felipe Solsona, das organizações de Saúde pan-americana (Opas) e mundial (OMS). Da Argentina, estará presente Osvaldo Cipolloni, representante da cooperativa Os Carrinheiros, que faz coleta e reciclagem na Província de Córdoba (região central do país).
A experiência dos Estados Unidos será mostrada por Spencer Bennet, de uma organização que comercializa recicláveis naquele país. Sônia de Oliveira, da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), falará sobre o panorama nacional. Os técnicos Hélio Vidal e Sinara Chenna apresentarão palestras respectivamente sobre projetos desenvolvidos em Florianópolis (SC) e Belo Horizonte (MG). Nicolau Obladen, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, relatará a experiência estadual.
As fundações tecnológicas de Cascavel, Marechal Cândido Rondon (Fundemarc) e Funtec (Toledo), organizadoras do seminário, ao lado da Abes, mostrarão projetos para o tratamento do lixo e programas já em desenvolvimento nas cidades onde estão suas sedes e ainda em São Miguel do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu. A experiência de Toledo é uma das mais importantes, devido aos resultados alcançados pelo programa Lixo Útil e seu desdobramento, o Câmbio Verde.
Enquanto na maioria das cidades a população urbana não se responsabiliza pelo próprio lixo que gera, em Toledo até mesmo comunidades rurais dão dando exemplo de consciência ecológica, aderindo ao programa. O Lixo Útil, a partir de experiência de Curitiba, é exclusivo para a região central da cidade, com entrega separada de materiais por 4 mil domicílios residenciais e comerciais. O Câmbio Verde é baseado na troca de alimentos por lixo reciclado.
O programa envolve 1,7 mil famílias de seis bairros carentes da cidade, que mensalmente entregam 12 toneladas de materiais separados. Comunidades rurais estão sendo integradas ao Câmbio Verde, entre elas São Luiz do Oeste (a 20 quilômetros da cidade e com 1,5 mil habitantes) e Vila Nova (a 22 quilômetros e 3,5 mil habitantes). Os materiais são entregues nas associações de moradores, transportados para um depósito na cidade e vendidos a empresas recicladoras.


