Curitiba A preocupação com os resíduos, potencialmente, poluentes resultantes da decomposição de cadáveres reúne, em Curitiba, técnicos e estudiosos no 1º Seminário Nacional de Engenharia para Cemitérios. O evento, que começou ontem e se estende até amanhã, é promovido pelo Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) e Associação Brasileira de Engenheiros Civis (Abenc). As palestras e debates estão sendo realizados no Campus III da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Uma das palestras foi a da doutora em Tecnologia Ambiental, Maria Cristina Braga, do Departamento de Engenharia Química da UFPR, que falou sobre tratamentos de efluentes cadavéricos. Segundo estudo da Universidade de São Paulo (USP), o necrochorume (líquido resultante da decomposição de corpos) é formado por 60% de água, 30% de sais minerais e 10% de substâncias orgânicas. Duas dessas substâncias a putresina e a cadaverina são altamente tóxicas.
Maria Cristina lembrou que, entre as substâncias que podem representar risco de contaminação do solo e lençol freático nas áreas de cemitérios, estão o formoldeído usado no processo de preparação de corpos e os vernizes, seladores e preservantes usados para conservação da madeira dos caixões. O chumbo, zinco, cobre e ferro dos acessórios das urnas também têm potencial poluente.
A especialista defende que para implantar sistemas de tratamentos dos resíduos do sepultamento é preciso, primeiramente, estabelecer planos de amostragem e de monitoramento para identificar o tipo e a quantidade de poluentes gerados.
O objetivo principal do seminário é discutir alternativas para cumprir a Resolução nº 335, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), de 28 de março de 2003, que estabeleceu critérios para reduzir os impactos ambientais nas áreas de cemitérios. No Paraná, uma outra resolução (nº 19, de 4 de maio de 2004), reforça a norma federal, impondo exigências ainda mais restritivas, e deu prazo até 31 de maio último para que os cemitérios já existentes apresentassem pedidos de licenciamento ambiental.
Segundo o secretário de Estado do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, os responsáveis pelos cemitérios que ainda não se adequaram à resolução começarão a ser multados. Ele não descarta a possibilidade de rever os critérios dispostos na resolução a partir das discussões do seminário.

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