Especialistas criticam projeto do Fórum
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de agosto de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
O esqueleto de concreto do que foi projetado para ser o Fórum de Curitiba, na opinião de especialistas, ofusca a revitalização da Praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico. O esqueleto deixa muitas perguntas no ar, diz o presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) no Estado, Roberto Sampaio, referindo-se a dúvidas sobre a segurança da estrutura e o mau uso do dinheiro público no projeto do prédio. Ele ressalta que o esqueleto compromete todo o paisagismo do Centro Cívico.
A construção do Fórum, que já consumiu R$ 14 milhões desde 1983, divide o mesmo terreno com a praça renovada. Ao fazer uma reforma completa, ela deixou de ser praça para se transformar num estacionamento, compara o presidente do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Paraná, João Carlos Diorio. O espaço passou a sofrer modificações em dezembro do ano passado, logo depois de tropas da PM desalojarem famílias de sem-terra acampadas na praça.
A prefeitura de Curitiba cercou toda a área e anunciou a construção de seis quadras esportivas, estacionamento e posto policial. A revitalização deve ser concluída ainda este mês sob a justificativa de oferecer mais segurança e lazer para 85 mil moradores da região. Representantes do município foram procurados na sexta-feira para dar sua versão, mas não houve retorno por parte da assessoria de imprensa.
A constatação de que o governo do Estado estava exposto demais à manifestações públicas teria apressado as alterações. A reforma só atendeu a interesses políticos para que a praça não fosse mais ocupada, analisa Diorio. O arquiteto acredita que tanto o prédio inacabado do Fórum, quanto as mudanças empregadas na concepção da praça, desvirtuaram o projeto original do Centro Cívico que, para ele, é um local de concentrações populares. O Centro Cívico foi o precursor da Praça dos Três Poderes, em Brasília.
O Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR), a Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Associação Nacional do Meio Ambiente ingressaram com ação na Justiça para tentar barrar as mudanças, mas a prefeitura conseguiu prosseguir com as obras.


