O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou na semana passada a lei que torna obrigatório o airbag frontal para motorista e passageiro em carros novos. A medida vale também para importados zero quilômetro. A inclusão do equipamento de proteção seguirá um cronograma de adaptação a ser definido pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que deverá tornar obrigatório o item em todos os carros a partir de 2014.
A medida recebeu a aprovação de profissionais que lidam diretamente com as vítimas de acidentes de trânsito. O secretário-geral da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), Flávio Faloppa, afirmou que, embora a inclusão do airbag possa aumentar o custo dos veículos, todo investimento em segurança é importante porque, a longo prazo, ''resulta em economia de vidas''.
''Os ortopedistas, que estão na linha de frente dos prontos socorros e hospitais, conhecem bem o custo pessoal e familiar dos acidentes com veículos'', disse o médico, que lembrou ainda o prejuízo da incapacitação temporária de um chefe de família que, vítima de uma fratura ou de uma lesão da face, deixa de prover o sustento de seus dependentes durante a convalescença.
Segundo o especialista, acidentes de trânsito implicam em gastos de R$ 28 bilhões pelo governo. Um estudo do Centro de Experimentação e Segurança Viária revela que, fosse o airbag já obrigatório, 3.426 mortes no trânsito teriam sido evitadas de 2001 a 2007.
Para o médico Sérgio Vitório Canavesi, socorrista do Siate/Samu de Londrina, a aprovação da lei é uma medida tão importante quanto foi o estabelecimento da obrigatoriedade do uso de cinto de segurança na década passada.
Segundo ele, nos Estados Unidos, onde o airbag é obrigatório desde 1998, houve uma redução de 30% no risco de morte em impacto frontal nos dez anos de utilização do equipamento. ''São hábitos que a população resiste em adotar no início, mas acaba incorporando'', comentou.
Ele lembrou também que, apesar da instalação ser feita nos bancos da frente, crianças até 12 anos devem continuar sendo transportadas nos bancos traseiros, onde correm menos riscos. ''O airbag não altera a obrigatoriedade de transportar crianças nos bancos de trás'', reforçou, acrescentando que as cadeiras de transporte específicas para cada idade são os equipamentos de segurança mais adequados para proteger os pequenos.
Sérgio Dalbem, diretor de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), destacou que o uso do airbag vai reduzir o número de feridos, mas não tem impacto sobre o volume de acidentes. ''É uma medida importante porque aumenta a segurança e diminuirá a ocorrência de vítimas fatais e pessoas com graves sequelas causadas por traumas. Mas a principal iniciativa para reduzir acidentes de trânsito é respeitar as regras e a sinalização.''

mockup