Especialistas alertam sobre perigo de chás
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sexta-feira, 07 de junho de 2002
Marta Medeiros<Br>Equipe da Folha 
Maringá - Plantas comuns nos quintais e terrenos baldios utilizadas de forma indevida por adolescentes está deixando em alerta profissionais da área da saúde. As plantas tóxicas também são um perigo para as crianças. No Centro de Controle de Intoxicação (CCI) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) foram atendidos só este ano 28 casos de intoxicação com plantas venenosas.
A maioria dos registros envolve crianças no uso acidental de comigo-ninguém-pode e coroa-de-cristo. No caso dos chás alucinógenos - classificados como drogas de abuso - as notificações se tornam mais difícieis porque as pessoas só recorrem ao hospital quando o quadro clínico se complica. A mesma situação se verifica em mulheres que se utilizam de plantas como a buchinha-paulista para o aborto.
Segundo a coordenadora do CCI, enfermeira Magda Lúcia Félix de Oliveira, no ano passado o centro atendeu quatro adolescentes intoxicados com o chá feito da planta trombeteira também conhecida como saia-branca. Os casos são esporádicos porque o adolescente não tem coragem de assumir o uso da droga que muitas vezes não se repete por causa dos efeitos, afirma Magda.
O professor Luís Carlos Marques, do Departamento de Farmácia da UEM, explica que a trombeteira é o chá mais utilizado por adolescentes. Alguns dos efeitos são a euforia, dilatação da pupila, elevação da pressão sanguínea, pele seca e quente, além de alucinações e transtornos visuais. Marques diz que ouviu diversos relatos de pessoas cujas alucinações se basearam em visões de ratos e cobras. Ele explica que a saia-branca tem uma substância que bloqueia o funcionamento do sistema nervoso central causando uma deturpação sensorial.
A enfemeira Magda também afirma que a intoxicação acarreta situações incômodas como o fato da pessoa ficar sujeita aos efeitos por mais de dois dias dependendo da dose utilizada. Há casos em que a eliminação das substâncias tóxicas do organismo depende de hemodiálise, conta a enfermeira. Magda diz ainda que o poder alucinógeno da saia-branca é superior ao do LSD.
Conforme o professor Marques, levantamentos do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Escola Paulista de Medicina mostram que os chás alucinógenos ocupam o sexto lugar na lista das drogas mais utilizadas por adolescentes. Marques diz que os chás têm uma tendência a causar dependência psicológica, ao contrário da cocaína e maconha que implicam na física. As drogas de abuso não estão incluídas na lista de entorpecentes proibidos por lei, mas podem provocar a morte por causa do alto grau de toxicidade.
O professor explica que a matéria-prima extraída da saia-branca tem efeito terapêutico como antiespamódico. Em uma fazenda de Arapongas (37 km a oeste de Londrina), uma multinacional alemã cultiva em alta escala a planta para fornecer o princípio ativo do remédio Buscopan.


