Especialistas alertam para aumento da obesidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de outubro de 2000
Rosângela Vale De Londrina 
Discutir de forma multidisciplinar a obesidade e suas complicações cardíacas foi o objetivo do 22º Simpósio de Cardiologia de Londrina, que terminou ontem, com um saldo mais que positivo para os 200 participantes reunidos no Hotel Crystal. É que o evento, realizado pelo Instituto de Doenças do Coração (InCor) de Londrina, juntou alguns dos maiores especialistas nacionais no assunto nas áreas de endocrinologia, nutrição, educação física e cardiologia. Todos alertaram para o assustador aumento da doença em todo o mundo.
De acordo com o médico Henrique de Lacerda Suplicy, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional do Paraná e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a obesidade aumentou de forma generalizada nos últimos 15 anos no Brasil, segundo estudos epidemiológicos feitos com pioneirismo no País. O último foi realizado em 1998 e revelou que em crianças os índices pularam de 3% para 15%; em homens de 3% para 7%; e em mulheres de 8% para 12%.
Suplicy explica que as razões do aumento da doença estão relacionadas à diminuição da atividade física, ocasionada pelos confortos da vida moderna, e também ao aumento da ingestão de alimentos mais palatáveis e gordurosos. Ele alerta que além de ser uma doença crônica de difícil tratamento, a obesidade pode acarretar complicações como diabetes, hipertensão arterial, alteração de colesterol e até câncer de mama e intestino.
Ao coração, a obesidade pode chegar de duas formas: fazendo com que aumente de tamanho e comprometendo seu funcionamento, o que a medicina chama miocardiopatia da obesidade; e causando o infarto do miocárdio, por causa do depósito de gordura nas artérias coronárias. Quem explica é o médico cardiologista Marco Aurélio Dias da Silva, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, de São Paulo.
E para prevenir o aumento de peso, nada melhor do que atividade física. O convidado para falar sobre o assunto foi o professor assistente José Alberto Aguilar Cortez, da Universidade de São Paulo. Ele ressalta que o hábito de fazer exercícios deve começar cedo e é dever dos pais incentivar essa prática nas crianças em idade escolar. Para os adultos, ele faz um esclarecimento. Não é preciso ficar extenuado para emagrecer. É mais importante a duração do exercício do que a intensidade.
Também participou do Simpósio a professora Josefina Bressan Monteiro, do departamento de Nutrição e Saúde da Universidade Federal de Viçosa (MG), que também é coordenadora nacional da Associação Brasileira para Estudos da Obesidade (Abeso). Reprovando as dietas da moda, que comprovadamente não funcionam e são padronizadas demais para atender as necessidades individuais de cada um, ela ressalta que é preciso eliminar o conceito ruim de dieta e substituí-lo pela idéia de orientação e reeducação alimentar.


