Curitiba

Mônica Porto (à direita): autoridades têm posturas equivocadasAs enchentes que atingem municípios localizados em uma mesma bacia hidrográfica poderiam ser contornadas se houvesse uma ação coordenada entre eles, através de um Plano Diretor de Drenagem único. Defendida pelo professor Benedito Braga, do departamento de hidráulica da Universidade de São Paulo, a tese foi um dos destaques do 3º Seminário de Drenagem Urbana, que está acontecendo no Salão de Atos do Parque Barigui, em Curitiba.
O encontro, que termina amanhã, mostra uma radiografia das causas e consequências das cheias que atingem as cidades brasileiras. Os principais enfoques são a utilização de tecnologias modernas para o controle das cheias, o planejamento integrado no Brasil e os aspectos legais da drenagem urbana.
Para o professor paulista, as administrações de Curitiba e da Região Metropolitana precisam ficar alertas para o Rio Iguaçu. ‘‘Este é um rio estadual que recebe rios municipais, por isso deve-se estudar ações integradas com medidas compensatórias entre as prefeituras’’.
O destaque para Curitiba, segundo Nicolau Kluppel, presidente da Suderhsa, é a formação de 25 parques em toda a Grande Curitiba. ‘‘Os lagos funcionam como acumuladores de água nas enchentes. Em Curitiba, o Plano Diretor de Drenagem é proporcionado pela própria natureza, e este sistema natural deve sofrer a menor interferência possível’’, defende Kluppel.
Na análise de Mônica Porto, presidenta da Associação Brasileira de Recursos Hídricos - uma organização não-governamental -, as autoridades esquecem rapidamente as consequências das enchentes. ‘‘A maioria demorou para perceber a amplitude do problema e passou muito tempo atuando do lado errado: na consequência e não na causa’’, disse.
Entre as soluções sugeridas para controlar as cheias estão a formação de parques nas várzeas e a construção de piscinas de detenção, com pavimentos porosos que permitam o escoamento da água.

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