Além do peso excessivo que os alunos carregam, o mau uso da mochila dos estudantes é um agravante. Em poucos minutos em frente ao colégio foi possível ver vários deles usando o acessório em apenas um dos ombros ou com as alças muito soltas. Segundo o ortopedista Marcos Cajueiro, de Londrina, mais importante que a lei é conscientizar os estudantes, pais e professores sobre os danos que o mau uso pode acarretar. ''Não consigo imaginar como será feita a fiscalização e a punição de quem desobedecer. E se o próprio aluno quiser carregar todo o peso?''
Além disso, o médico observa que a própria porcentagem da lei em questão é muito controversa. ''Não podemos estabelecer uma porcentagem sobre o peso do aluno, até porque esse será variável. O índice deveria ser com base no peso ideal, calculado pela massa corpórea e altura. Senão, aqueles que estão acima do peso recomendável, em tese, poderão carregar mais peso na mochila, quando já estão sobrecarregados com o peso corporal extra'', pontua o ortopedista, acrescentando que, a longo prazo, a sobrecarga pode acarretar em dor crônica na coluna e nos joelhos.
Enquanto isso, o médico orienta que os estudantes fiquem atentos a algumas medidas, como altura das alças das mochilas, colocação dos materiais em vários compartimentos e utilização das fitas complementares. ''O ideal é usar a mochila na altura torácica e não dorsal. Já os vários bolsos evitam que o peso do material se acumule em uma única região do acessório. Quanto às fitas do tórax e da cintura, estes não são meros enfeites, mas úteis para uma melhor sustentação e distribuição do peso na parte da frente.'' No caso das bolsas laterais, ele recomenda revezar os ombros e, também, ajudar segurando com a mão. (M.T.)

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