Especial para a Folha
A conservação de energia é um tema que não desperta paixões, a não ser quando falta luz. Por isso, as pessoas não se acostumaram ainda a uma cultura de racionalização de consumo, necessária para o fornecimento adequado. A avaliação é da conferencista francesa Sylvie Geissmann, que esteve ontem em Curitiba para uma conferência na Associação Brasileira de Profissionais Especializados na França e Associação de Engenheiros Garfunkel.
Sylvie Geissmann é responsável pelos projetos para a América Latina da Agência de Meio Ambiente e Conservação de Energia da França e avalia que essa cultura de ‘‘gastar menos energia e não gastar o que não for necessário’’ vai acabar sendo implantada em todos os países, em função da economia e das questões ambientais. Ela cita um exemplo simples, mas esclarecedor: ‘‘Na Alemanha, uma pequena cidade trocou todas as torneiras em uso nas casas, que eram de grande vazão, por torneiras menores, que gastam menos. O resultado foi uma economia em escala’’. Outro exemplo simples é a substituição das lâmpadas incandescentes por outras, do tipo vapor de sódio, mais eficientes e econômicas.
Alternativas - No Brasil, avalia a conferencista, onde a matriz energética está baseada no sistema hidrelétrico, há necessidade de se pensar em alternativas para geração de energia, especialmente aproveitando as características continentais do País. Nesse sentido, mecanismos de geração de energia a partir da força do vento (eólica) e do sol são imprescindíveis para se criar, por exemplo, programas de eletrificação rural.
Na França, conta ela, há experiências adiantadas do uso da energia solar. Lá, 48% da energia elétrica é produzida no país e os 52% restantes são importados dos vizinhos europeus. Da energia própria, cerca de 70% vem de centrais nucleares.
No caso brasileiro, a conscientização da população para o problema da escassez de energia deve vir acompanhada de medidas legais que estimulem a criação de alternativa energética, com a vantagem de descentralizar a produção. ‘‘Isso é muito importante, porque o sistema de energia deve ser interligado, mas a geração pode e deve ser feita a partir de vários pontos, empregando mais pessoas e atendendo às necessidades locais’’. Mas, diz ela, mais importante que leis é a conscientização da população.
Marcelo Iwersen, presidente da associação que promoveu o debate, diz que a discussão sobre conservação de energia tem de ser amplamente estendida à população. ‘‘Vivemos num país onde o próprio Estado dá o mau exemplo, deixando repartições inteiras com as luzes acesas durante a noite. Então, o que precisamos é conscientizar as pessoas de que apagar as lâmpadas desnecessárias não só é importante como urgente’’, diz Iwersen.

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