Especialista fala sobre seguros e erro médico
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quarta-feira, 06 de junho de 2001
Marta MedeirosDe Maringá 
O presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Legal (SBML), Reginaldo Inojosa Campello, disse ontem em Maringá que os médicos brasileiros vão ser forçados a contratar seguro para bancar pedidos de indenização por erro profissional. Campello é um dos especialistas que participa hoje do Forense 2001 para debater o Seguro de Responsabilidade Civil por Erro Médico. Realizado pela 13ª turma de medicina da Universidade Estadual de Maringá (UEM), o evento prossegue até sábado no Teatro Calil Haddad.
Campello afirma que os médicos brasileiros não vão conseguir escapar do mercantilismo das empresas de seguro. Ele explica que o único modelo deste tipo de contrato existente hoje no mundo é o norte-americano. Nos Estados Unidos, segundo Campello, a situação é complicada para os médicos porque o incentivo ao seguro acabou levando a um excessivo número de pedidos de indenização. Campello lembrou que o interesse econômico é tão grande que quando presidiu um conselho foi procurado por empresas americanas que ofereceram ao órgão participação na venda de seguros.
Para o presidente da SBML, o maior problema está na inversão de valores, quando a população deixa de procurar os conselhos médicos, responsáveis pela fiscalização e punição dos profissionais, para recorrer apenas à responsabilidade civil em busca de indenização. Conforme o especialista, as indenizações por erro médico ficam em sua maioria acima de R$ 100 mil.
Campello diz que o seguro favorece inclusive o mau profissional, que ao garantir o pagamento da indenização, acaba escapando da punição do órgão de classe. Isso porque a pessoa deixa de procurar o conselho para ir direto na Justiça, quando a suspensão do profissional e a advertência pública são penitências maiores do que o pagamento de um seguro, ressalta o presidente da SBML.


