Especialista fala a idosos e combate o medo de envelhecer
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quarta-feira, 24 de setembro de 1997
Célia Baroni 
Londrina
Marcos BorgesAquele abraçoA Semana Municipal do Idoso: palestras, lazer e confraternizaçãoO medo de envelhecer é o principal obstáculo que as pessoas precisam enfrentar para conquistar uma velhice produtiva e de qualidade. Quem diz é o doutor em gerontologia pela Universidade René Descartes (Paris-França), Darnísio Assis. Convidado especial da 5ª Semana Municipal do Idoso, ele abordou o tema Os desafios nos anos maduros, em palestra realizada anteontem à tarde no anfiteatro do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Assis deixou claro aos mais de 100 idosos que participaram da palestra: idade não é sinônimo de doença. Quando se aposentam, muitas pessoas pensam que têm de se aposentar também da vida. Ele esclareceu que, embora haja uma diminuição do número de neurônios com o avanço da idade, o que mantém a lucidez e o raciocínio no ser humano é a atividade intelectual. Somos um computador que não pode ser desligado nem por um minuto. A atividade é nossa principal fonte de energia. E o segredo está na diversificação.
Darnísio Assis citou uma pesquisa realizada recentemente na França que apontou que os professores, em geral, conseguem envelhecer com mais qualidade de vida. Apesar do trabalho exaustivo exigido pela profissão, os professores atuam em várias áreas ao mesmo tempo: ensinam, lêem, brincam com os alunos, têm a preocupação de se informar e estão em constante movimento, diz. E cita a frase de uma alemã anônima, como receita para um envelhecimento saudável: Nunca começar a parar e nunca parar de começar.
O enfoque correto da velhice também é indispensável para a pessoa aprender a tirar o melhor dessa fase da vida. Para Assis, a vida é movida por vaidades que sobem ou descem na escala de importância, de acordo com a fase etária da pessoa. Na juventude, diz, há a vaidade corporal; na idade madura a vaidade profissional; para os idosos, a vaidade intelectual deve servir de motivação. Ele esclarece que a sociedade reserva esse papel para o idoso porque reconhece nele a experiência e a capacidade de transmitir o conhecimento adquirido.
Por outro lado, por muito tempo se associou o idoso à doença e à improdutividade, o que criou um grave obstáculo para que o idoso assumisse o seu verdadeiro papel, analisa. Assis complementa, no entanto, que esta realidade vem mudando. Ele diz que há um movimento mundial para reconhecer e valorizar o idoso e seus direitos. Todos, independentemente da idade e mesmo sem saber, temos projetos de vida, até o último dia de vida. Acalentamos sonhos e metas. Só precisamos assumi-los.
As atividades da 5ª Semana Municipal do Idoso vão até domingo. A comemoração será encerrada com uma Caminhada Nacional do Envelhecimento Saudável, que acontecerá ao mesmo tempo em várias cidades do País. A caminhada começa às 8h30, no Coreto do Calçadão, seguindo pela rua Pernambuco até o Zerão, onde haverá apresentações de teatro, música e confraternização dos participantes. O evento está sendo promovido pela Prefeitura, UEL, instituições e entidades que atendem à população idosa.


