Lino Ramos
De Londrina
O Brasil não deverá enfrentar uma gripe violenta durante os meses de inverno. A previsão é do médico João Toniolo Neto, diretor do Grupo de Vigilância da Gripe (VigiGripe), projeto da Universidade de São Paulo.
‘‘Não há indícios de surtos diferentes dos anos anteriores’’, disse o profissional em Londrina. Na opinião do médico, que veio para uma palestra na cidade, a vacinação em massa direcionada aos idosos e as novas drogas presentes no mercado afastam a possibilidade do vírus ‘‘Influenza’’ provocar uma epimedia neste ano.
Toniolo Neto avalia que os surtos de gripe na América do Norte ocorreram em países que não tiveram uma cobertura vacinal satisfatória. Com isso, o mesmo vírus agravou os casos da doença entre 10% a 15%. ‘‘Mas nada de se alarmar’’. Entretanto, ele adverte que sempre, num período de 10 anos a 30 anos, o vírus Influenza sofre uma mutação total, provocando uma pandemia (epidemia generalizada). ‘‘Estamos entrando nesse período. Por isso, é importante estarmos alertas’’.
Em 1918, a gripe espanhola matou de 20 milhões a 40 mihões de pessoas. Em 1957 a gripe asiática provocou a morte de mais de um milhão de pessoas. No início da década de 70, a gripe Hong Kong também foi a responsável pela morte de um milhão de doentes.
Segundo o médico, anualmente no Brasil a gripe provoca a morte de 10 a 15 mil pessoas, sendo que 85% das vítimas são idosos. Para reduzir esses números o governo Federal iniciou em 1999 a vacinação de pessoas com mais de 65 anos. Neste ano, a imunização estará à disposição dos idosos acima de 60 anos.
Nos idosos, a gripe complica o quadro de outras doenças, como asma, hipertensão e diabetes. ‘‘O diabetes pode ser descontrolado, se há um quadro de asma compromete o problema cardíaco e também podem ocorrer problemas renais’’, lembra o especialista.
O VigiGripe surgiu em 95 e passou a estudar a sazonalidade do vírus Influenza no Brasil. Em 1997, a Prefeitura de São Paulo passou a imunizar os idosos sob orientação do programa. No ano passado o governo Federal optou pela cobertura vacinal. De 95 até este ano a imunização contra a gripe no Brasil saltou de 0,7% para 85%.
Na avaliação de João Toniolo Neto, é a segunda melhor vacinação do mundo, só perdendo para a França. O especialista explica que é normal as pessoas confundirem gripe e resfriado. ‘‘A gripe é causada pelo vírus Influenza, provocando febre elevada, dores no corpo, um mal-estar geral. O resfriado é localizado nas vias aéreas e tem um início mais gradual’’.
Neste ano dois laboratórios multinacionais estão colocando no mercado um novo medicamento contra a gripe, doença que surgiu na China e foi transmitida ao homem pela galinha. As drogas serão vendidas com receita médica e o tratamento deve ser iniciado no mínimo 36 horas após a manifestação da moléstia.
Mas o remédio está chegando ao mercado por R$ 50 dólares e nas farmácias deverá custar cerca de R$ 99,00. João Toniolo Neto explica que essas drogas agem em 100% dos casos, reduzindo os sintomas da doença em até 50%.

mockup