James Alberti
De Curitiba
A miséria, quem diria, deixou de ser somente uma questão social e tornou-se a questão ambiental número 1 do mundo. Quem pensa assim é nada mais nada menos do que o ex-dirigente da Secretaria Especial do Meio Ambiente (Sema), da Presidência da República, Paulo Nogueira Neto, uma das mais importantes personalidades brasileiras na luta pela defesa do meio ambiente.
Agraciado com diversos prêmios mundiais e fundador do Departamento de Ecologia Geral do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Nogueira acredita que erradicar a miséria e controlar a natalidade são indispensáveis para preservar o meio ambiente. Esses temas fizeram parte da palestra ‘O meio ambiente na ótica da ciência e da religião’, que o professor proferiu ontem, às 20 horas, em Curitiba.
Para relacionar a religião ao meio ambiente, Nogueira usa os dois primeiros mandamentos de Jesus Cristo. Amar a Deus, o que para o professor significa amar a natureza e preservar o ecossistema, e Amar ao Próximo, o que para Nogueira é implantar programas de controle de natalidade que evitem que milhões passem fome nos próximos anos.
Para preservar o meio ambiente, Nogueira quer acabar com a miséria e, para isso, é necessário convencer setores mais ortodoxos da Igreja a aceitar métodos anticonceptivos. Segundo o professor, cálculos da Organização das Nações Unidas (ONU) revelam que seriam necessários US$ 250 bilhões anualmente por dez anos a 20 anos. Uma sugestão de Nogueira para arrecadar o dinheiro é cortar pela metade os gastos com armamento, que chegam a US$ 600 bilhões ao ano.
Convidado pelo Instituto Ciência e Fé, uma organização não-governamental, Nogueira disse ser inimaginável a gravidade das mudanças ambientais que serão provocadas nos próximos anos pelo efeito estufa. O aumento da temperatura, defendeu, provocará a extinção de milhares de espécies de plantas e animais. Nogueria acredita que somente a recuperação de florestas pode evitar futuras catástrofes.

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