Dorico da SilvaSem comprovaçãoPaulo Ribeiro: ‘‘Planta é maravilhosa, mas não há pesquisas’’O especialista em plantas medicinais do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), o pesquisador Paulo Guilherme Ferreira Ribeiro, acredita que o composto de babosa é mais um modismo perigoso e que tende a desaparecer. Ele conta que, como a babosa, já houve a corrida de populares em busca do Avelos, da Figueira Branca; e do Ipê Roxo, todas atrás de informações sobre princípios ativos destas plantas que teriam o poder de cura do câncer.
‘‘A gravidade do câncer, que é uma doença muitas vezes letal, e a crueldade dos tratamentos disponíveis que trazem sofrimento psicológico e físico, incentivam o doente a acreditar em tudo. Tudo que aparece prometendo cura ganha adeptos’’, afirma. Ele observa que o perigo destas ‘‘receitas’’ está
na possibilidade dos pacientes abandonarem os tratamentos convencionais para correr atrás das promessas, expondo-se ao risco do agravamento da doença e de uma intoxicação.
Defensor da fitoterapia, o pesquisador não descarta a possibilidade da babosa ter princípios ativos que possam atuar na cura do câncer. ‘‘É uma planta maravilhosa, mas sobre a qual não existem pesquisas que garantam sua eficácia contra o câncer’’, afirma. Segundo o pesquisador apenas duas pesquisas realizadas na Coréia, uma em 84 e outra em 86, abordaram o uso da babosa contra esta doença. As pesquisas foram realizadas com ratos com sarcoma (tumor maligno do tecido conjuntivo) e concluíram que a babosa não cura o câncer mas aumentou a expectativa de vida de 32% dos animais.
Ribeiro explica que o uso medicinal da babosa, nome popular da Aloé, já faz parte da cultura popular. Estudos realizados sobre a planta e sua utilização dão conta de que ela é usada popularmente em vários países da América Latina para fins variados: como repelente, contra tosse comprida, leucorréia (corrimento), laxante, gripe, para descer a menstruação, abortivo, conjuntivite, contra a gonorréia, cicatrizante, queimaduras e câncer de estômago. No México, as folhas fervidas são aplicadas sobre abscessos, contusões, irizipella (inflamação grave consequente de varizes).
‘‘Todas estas indicações são de uso popular mas não tem respaldo científico. De concreto sabemos apenas que, ingerida, a babosa tem graves efeitos tóxicos podendo prejudicar os rins e resultar em problemas gastrointestinais’’, alerta. Atualmente, a medicina reconhece somente as propriedades da babosa para uso tópico, em alguns problemas de pele, como cicatrizante e para queimaduras. A indústria de cosméticos já explora seus benefícios em vários tipos de produtos.
O pesquisador explica que há dois tipos de babosa, a Aloé arborescens, que tem folhas estreitas e magras, caule central e flores laranja e a Aloé vera ou barbadensis, com folhas gordas e crescimento vertical. Ribeiro esclarece que há pouca literatura sobre a Aloé arborescens, indicada no livro do frei Romano para preparar o composto contra o câncer.

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