O diretor do Hospital Marmottan (Paris), Claude Olievestein, disse ontem em Curitiba que a partir de algumas atitudes os pais podem detectar se a criança tem potencial para ser um futuro dependente de drogas. Angústia e temores noturnos, distúrbios sexuais e alucinações lúdicas foram os indícios apontados pelo médico.
Segundo ele, o grande interesse pela androginia e masturbação são alguns dos componentes da personalidade de um futuro dependente. ‘‘Mas, apenas quando se tratar de masturbação intensa’’, ressaltou Olievestein, que fez abriu o curso de extensão Drogas, Violência e Exclusão na Infância e na Adolescência, na Universidade Federal do Paraná.
O grande interesse por jogos também pode ser um indício. ‘‘É a alucianção lúdica’’, definiu. Nesse caso, explica, a criança tem grande necessidade de estar sempre jogando. ‘‘Ela se sente obrigada a jogar’’, disse.
Constatada a personalidade de alto risco para a dependência, os pais ou responsáveis precisam desenvolver um trabalho de prevenção. Olievenstein afirma que, em primeiro lugar, os pais precisam saber dizer ‘‘não’’, mesmo que o resultado imediato no relacionamento com o filho seja ruim.
A prevenção deve ser feita na infância, pré-adolescência e adolescência. ‘‘No trabalho de prevenção, os pais devem se dirigir ao pré-adolescente, que ainda os ouve’’, explicou.
Segundo Olievenstein, os pais devem adotar o método de repetição e refletir com o filho sobre os perigos das drogas. Ele destaca que todas as drogas são nocivas à saúde e que, portanto, os pais não devem dar prioridade à droga que julgam mais perigosa.
Em 20 anos de funcionamento, o Hospital Marmottan atendeu 40 mil dependentes, que procuraram a entidade voluntariamente. Olievenstein diz que cada paciente recebe tratamento individualizado. Primeiro, o dependente fica hospitalizado, depois passa um período em casa de famílias sociais e finalmente, frequentam terapia de grupo.

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