A Caverna de Cambota é considerada por especialistas um campo de pesquisa de alto valor histórico. Algumas peças, como machadinhas, pilão, pontas de flecha e utensílios de uso cotidiano, podem ter entre 2 mil e 7 mil anos de existência. De acordo com o professor Angelo Spoladore, do Departamento de Geociências da UEL, os objetos podem ter sido confeccionados por povos do período pré-contato ou antes dos primeiros povos colonizadores desembarcarem no Brasil. ''A caverna tem um grande valor histórico. Além de ter uma formação muito rara, o basalto, não podemos descartar o seu conteúdo arqueológico'', argumentou o professor.
Ainda assim, há poucos indícios de que a gruta serviu de moradia. Não existem sinais de qualquer tipo de manifestação humana, como restos de carvão ou pinturas rupestres. ''É bem provável que o local era usado como uma espécie de depósito, mas não como abrigo. O acesso ao interior da caverna também é muito difícil. A caverna não nos dá nenhuma característica de ocupação, diferente de outras cavernas paranaenses'', afirmou. ''Em Sengés, encontramos pinturas rupestres e vestígios de fogueira, que podem indicar no mínimo que o local tenha sido uma ocupação temporária'', relatou.
A formação dessa rochas coincide com o período em que a terra ainda abrigava algumas espécies de dinossauros, de acordo com o professor. Os continentes estavam ainda em processo de separação. ''É muito complicado falar sobre a formação das cavernas, mas as rochas de basalto são do período Juro-Cretássio, ainda na época dos dinossauros, há cerca de 235 milhões de anos atrás'', relatou.
Somente duas cavernas de rocha vulcânica estão registradas no cadastro da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE), entre elas a de Cambota. Com ajuda de estagiários, o professor mapeou as dimensões da gruta. Em linha reta, possui 36 metros de comprimento. É composta por um salão principal e três secundários. ''Ela possui vários tipos de cristais de ornamento, como o quartzo, zeólita e calcita'', relatou. (G.G)

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