Especialista afirma: bom é o leite A
Especialista afirma: bom é o leite A
Produto tem menor risco de contaminação
Célia Baroni
Milton Dória
RiscosVanerli Beloti, especialista em controle de qualidade: Pasteurização é importante mas não faz milagres Leite bom é o leite tipo A, que além do preço competitivo - oferecido no mercado pelo mesmo valor que o tipo C (R$ 0,65 o litro) - é integral. Ordenhado e embalado mecanicamente dentro da propriedade, o tipo A é o que oferece menos riscos de contaminação. A informação é da médica veterinária e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Vanerli Beloti. Especialista em Controle de Qualidade de Leite, ela explica que os laticínios não têm como garantir a qualidade do leite que chega à empresa.
Para fazer o exame que detecta a existência de coliformes e coliformes fecais, por exemplo, são necessários quatro dias. O leite é um produto altamente perecível e não pode ser mantido por tanto tempo na usina antes de ser comercializado, afirma Vanerli. A professora diz que o laticínio tem de confiar nas práticas de higiene de dentro da usina e na eficácia do processo de pasteurização do produto.
Quanto maior o número de fases que o leite enfrenta até chegar ao consumidor final, maior a possibilidade de contaminação do produto. Vanerli Beloti explica que a origem do leite define a sua classificação e as exigências do Ministério da Saúde. O leite tipo C, por exemplo, é ordenhado manualmente, acondicionado em latões que depois são transportados até as usinas, onde o leite passa por um tratamento térmico - a pasteurização. A ordenha do leite tipo B tem de ser mecânica, mas a pasteurização e embalagem do produto são feitas nas usinas.
A discussão sobre a qualidade do leite ganhou destaque nos últimos dias, em Londrina, devido ao chamado escândalo do leite: o presidente da Cativa e da Confederação das Cooperativas Centrais Agropecuárias do Paraná (Confepar). Osmar Buzinhani, denunciou tentativa de extorsão por parte de assessores da Câmara Municipal.
Fredemax Mota, Aristeu Rodrigues e José Rojas Gavilan teriam exigido R$ 30 mil da Cativa e R$ 50 mil da Central Norte, de Apucarana, para não divulgarem laudos do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, sobre a qualidade do leite produzido por elas. As análises haviam sido requisitadas pela Câmara após denúncias de má qualidade dos produtos. De oito marcas analisadas, cinco (Cativa, Londrina, Guri, Macial e Ubá) foram consideradas insatisfatórias para consumo e três (Batavo, Caitu e Reggio) foram aprovadas. Os assessores - já afastados - teriam utilizado os laudos para extorquir os fabricantes.
Normas federais prevêem estas diferenças e estabelecem exigências diferenciadas para cada tipo de leite. A presença de bactérias do tipo coliformes e coliformes fecais, por exemplo, é permitida nos leites tipo A e B, desde que em índices baixos. Para o leite tipo C é considerada aceitável a presença de até duas bactérias de coliformes e coliformes fecais por mililitro do produto. O índice máximo permitido cai para uma bactéria por mililitro no caso do leite tipo B. Para o leite tipo A, o Ministério da Agricultura exige que não haja nenhuma contaminação do produto.
Mesmo depois de submetido à pasteurização, o leite ainda pode apresentar por mililitro do produto até 500 bactérias (tipo A); 40 mil bactérias (tipo B) e até 150 mil bactérias no leite tipo C. Estas quantidades, esclarece a professora da UEL, dobram depois da distribuição do produto, mas ainda são consideradas aceitáveis porque não fazem mal a quem consome.
Vanerli Beloti explica que, quando uma análise laboratorial aponta um número de coliformes e coliformes fecais acima do aceitável, há indicação clara de que está havendo falha em algum ponto do processo e que é necessária uma averiguação mais aprofundada sobre a causa da contaminação. Ela explica que a presença destas bactérias é um indicador de que o produto não recebeu o tratamento adequado e pode apresentar inclusive bactérias nocivas ao consumidor.
Os coliformes fecais não são patogênicos, não causam doenças. Em grande número podem provocar uma diarréia e intoxicação alimentar, diz. A professora afirma que a pasteurização é o método mais eficiente para tornar o leite próprio para o consumo sem afetar a suas propriedades naturais. Mas o processo não faz milagres, ela enfatiza.
Na usina, o leite é submetido a uma temperatura que pode variar entre 72 e 75 graus centígrados durante 20 segundos. O tratamento térmico, garante Vanerli Beloti, elimina todos os agentes patogênicos do leite - tuberculose, zoonose, etc. - sem alterar muito a sua composição. O objetivo é fazer chegar ao consumidor um produto que esteja o mais próximo possível do leite cru, sem oferecer os riscos de transmitir doenças e preservando suas propriedades.





