A Folha Cidades começa hoje a publicar uma série de matérias sobre profissões. A repórter Phoenix Finardi foi buscar junto às instituições de ensino as novidades, os cursos mais recentes e outros que têm sido pouco divulgados. O objetivo é informar o leitor, principalmente aquele que está pensando em fazer um curso superior ou técnico, sobre as novas opções existentes aqui na cidade. Ao escrever as matérias, procuramos ressaltar os aspectos mais importantes de cada curso, sem esquecer dicas práticas como tempo de duração, possibilidades de emprego e custo. O curso de Biomedicina, apresentado hoje, forma profissionais que pesquisam a doença para melhorar a saúde da população. Confira nos próximos dias também o sucesso dos cursos seqüenciais


Tubos de ensaio, microscópios, relatórios com dados estatísticos. Esse é o mundo dos biomédicos, que passam a maior parte do tempo em laboratórios. Trabalho chato? De jeito nenhum. Esses profissionais são responsáveis por pesquisas que apontam para novos remédios e formas de tratamento dos mais variados tipos de problemas de saúde.
  A definição técnica de Biomedicina quem dá é a coordenadora do curso, a professora Cassia Thais Zaia: ‘‘O curso é voltado para a pesquisa e docência nas áreas biológica e médica. O formado vai ser um pesquisador na área de saúde’’. A principal diferença do curso de Medicina é que o biomédico não lida com pacientes. Quem se formar neste curso não vai trabalhar em hospital, posto de saúde nem abrir uma clínica. O currículo também é diferente. Além de biologia, é preciso gostar de matemática e química.
  Biomedicina é um dos cursos mais novos da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Criado em 2000, já é um dos vestibulares mais concorridos da instituição. São 20 vagas por ano. Quem entra tem que estar preparado para estudar quatro anos, em período integral. ‘‘A pesquisa é fundamental. Desde o primeiro ano o aluno faz estágio obrigatório nos laboratórios e no último ano ele desenvolve um projeto experimental de pesquisa’’, explica Cássia.
  As possibilidades são vastas. Atualmente, há pesquisas em andamento na UEL nas áreas de controle do diabetes, anorexia, obesidade, hipertensão arterial e doenças mentais, só para citar alguns exemplos. A maioria (90%) usa animais de laboratório mas há também trabalhos com material humano para estudar doenças como Aids, leucemia e leischmaniose. Helen Miranda, 25 anos, é da primeira turma de formandos. Ela se prepara para começar a pós-graduação, com células tronco, na USP de Ribeirão Preto. Todos os colegas de turma dela estão fazendo especialização. ‘‘Esse curso exige muito estudo. O primeiro passo depois de formado é pensar na pós’’, garante.
  ‘‘Meu pai queria que eu estudasse medicina mas eu não me via trabalhando com pacientes, por isso optei por biomedicina. Estou satisfeito com o curso, era o que eu esperava’’, diz Thiago Nasser, 24 anos. Karen de Oliveira, 22, também pensou em Medicina, entrou em Farmácia e depois mudou de idéia: ‘‘Eu detestava hospital e queria alguma coisa na área de pesquisa. Adorei o curso’’, confessa.
  O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) patrocina várias pesquisas dentro das universidades. Existem diversas possibilidades de bolsas, para alunos e formados. Outra área de atuação para os biomédicos é em institutos como o Oswaldo Cruz, Butantã e Incor. Embora de forma ainda vagarosa, segundo a professora Maria Angelica Watanabe, uma das criadoras do curso, as possibilidades de emprego estão aumentando: ‘‘O Paraná ainda caminha muito lentamente mas nos outros Estados do Sul já existem várias parcerias entre iniciativa privada e universidades para financiar pesquisas na área de saúde’’.

SERVIÇO
Curso de Biomedicina Universidade Estadual de Londrina
- Período integral
- 4 anos de duração
- 20 vagas por ano
- Estágios obrigatórios durante todo o curso.
- Ênfase para pesquisa na área de saúde

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