Cerca de duas mil pessoas, das 52 instituições que trabalham com educação especial em Curitiba, participaram ontem pela manhã de uma passeata que terminou com uma manifestação no Centro Cívico, em frente ao Palácio Iguaçu. O protesto pedia maior apoio do governo estadual, com a disponibilização de maior número de professores para a educação especial, além de melhor atendimento à saúde e na criação de oportunidades de trabalho.
A secretária de Estado da Criança e de Assuntos da Família, Fani Lerner, recebeu uma comissão dos manifestantes e marcou para o dia 9 de outubro, às 14h30, uma reunião com representantes das entidades e das secretarias estaduais da Educação, Saúde e do Trabalho. ‘‘Nós queremos que seja criada uma proposta de atendimento global aos deficientes, envolvendo todas essas secretarias’’, disse Ana Lúcia Furkin, coordenadora da Federação das Associações dos Portadores e Amigos dos Excepcionais (Apaes). Segundo ela, o problema é bastante abrangente, pois necessita de políticas públicas nas áreas de saúde, educação e do trabalho.
A caminhada também contou com o apoio do Sindicato dos Professores da rede pública (APP-Sindicato), já que uma das reivindicações refere-se à falta de professores cedidos pelo governo para a educação especial. Segundo a procuradora geral das Apaes no Paraná, Angelina Matiskei, existe um convênio com o governo que prevê a liberação pelo Estado de professores e funcionários para as escolas especiais, o que não vem sendo cumprido em quantidade satisfatória. O presidente da APP, Romeu Miranda, queixou-se do não cumprimento, pelo governo, da lei que estabelece que a aposentadoria do professor que trabalha com deficientes deve ter acréscimo de 50%.
Existe, hoje, mais de 30 mil alunos especiais na rede estadual e aproximadamente 3,5 mil professores destinados a esse trabalho. ‘‘Nem 5% dos portadores de deficiência do Estado têm educação especial’’, diz Angelina. Dados internacionais preconizam que 10% da população tem algum tipo de deficiência, sendo metade desse percentual com deficiências mentais. Isso significa que no Paraná existiriam cerca de 900 mil pessoas com alguma deficiência. Em 90% dos municípios, segundo Angelina, não existe atendimento para educação especial.
O governo estadual rebateu as argumentações em nota oficial entregue à imprensa. ‘‘O Paraná é o estado que mais investe em educação especial e que atende ao maior número de deficientes, proporcionalmente ao percentual de sua população’’, diz. De acordo com a nota, o atendimento a portadores cresceu 60% nos últimos cinco anos. Já o investimento nessa área aumentou de R$ 6 milhões em 1994 para R$ 36 milhões em 1999 e nesse ano devem ser investidos R$ 39 milhões.

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