Os critérios para se dar um nome a uma via, praça ou prédio público são estabelecidos pela Lei Orgânica do Município, no artigo 216, parágrafo único, e também pela Lei Municipal nº 7.631. Mas alguns professores de história questionam se os critérios são realmente respeitados. ‘‘Muitos nomes são dados para agradar amigos, parentes e outras pessoas pelo vereadores sem que elas tenham necessariamente uma importância histórica para a cidade’’, diz a responsável pela Sala Londrina-Paraná da Biblioteca Municipal, Benedita Rodriguez.
Benedita desenvolveu um projeto de pesquisa que resgatou a história das pessoas que deram nome às escolas estaduais de Londrina. Ela também iniciou um projeto, em conjunto com o professor Afonso Cezare Perez, que visava resgatar a biografia dos personagens que dão nome às vias de Londrina. Mas o projeto acabou não sendo concluído. ‘‘O que a gente percebe é que muito personagens deixaram de ser homenageados. Parece que há uma preocupação de homenagear ‘‘doutores’’, deixando-se de lado pessoas comuns que tiveram grande importância para a cidade.’’
O professor Jorge Cernev também observa que há algumas distorções ao se dar nome a uma rua. Uma delas, segundo ele, é o caso da Avenida Saul Elkind, nos Cinco Conjuntos, na zona norte de Londrina. ‘‘O Saul Elkind foi um parente, não sei agora se pai ou irmão, do gerente da Caixa Econômica Federal que concedeu o financimento para a implantação dos conjuntos. Como não era possível por o nome do gerente, que estava vivo, se colocou o nome de seu parente. Algumas homenagens não têm sentido’’, afirma.
O professor lembra também que alguns personagens que tiveram alguma relevância ainda não receberam a devida homenagem. É o caso do primeiro medidor de terras da Companhia Norte do Paraná e também os pais das duas primeiras crianças que chegaram a Londrina, Espartaco Bambi, que até hoje não foi homenageado.
A Lei Orgânica estabece que os projetos que visem dar nome para vias, praças e outros bens públicos devem estar instruídos com o ‘‘curriculum vitae’’ ou dados biográficos do homenageado, que deverá ter sua morte comprovado por alguns atestado de óbito. A Lei Municipal determina em seu artigo 3º que ‘‘terão preferências nomes de significação cívica e cultural e os evocativos locais’’, como nomes de cidades, planetas etc.
No seu quarto mandato, o vereador Jaci Aguiar (PPB) se orgulha de ser o legislador que mais projetos de nome de ruas, praças e bens públicos apresentou na história de Londrina. ‘‘Já perdi as contas, já está próximo dos mil. Cerca de 90% das ruas dos Cinco Conjuntos foram de projetos de minha autoria’’, afirma. Ele garante que em todos os casos conheceu a pessoa homenageada ou alguém de sua família.
Jaci conta que já na sua primeira gestão, em 1978, percebeu que muitas ruas não tinham nomes e resolveu homenagear pessoas da cidade. ‘‘Muitos adversários dizem que faço isso para ganhar votos. Mas tem uma frase que envio ao familiares dos homenageados que contraria esta afirmação: ‘A política passa, mas a homenagem é para sempre’.’’ Aguiar agora tenta entrar para o Guiness Book – Livro dos Recordes – como o vereador que aprensentou o maior número de projetos do gênero. (G.R.)

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