Espaço onde a palavra de ordem é viver
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Espírito voluntário é o que não falta à nutricionista Jeanina Scalon Cotello, a Nina, 36 anos, que há oito anos coordena a alimentação das crianças e adolescentes com câncer atendidos pela Organização Viver, de Londrina. Ela conta que a vontade de servir ao próximo nasceu na adolescência, quando ela e um grupo de amigas faziam um trabalho de recreação com crianças da favela do Jardim Franciscato, na Zona Sul, todo sábado de manhã.
''Nós só brincávamos com as crianças, mas as mães eram tão gratas que sempre chegavam com uma florzinha para a gente'', recorda Nina, que aprendeu a verdadeira importância do voluntariado quando trabalhou num hospital pediátrico em São Paulo.
''Entendi que muitas informações sobre os pacientes eram obtidas pelos voluntários, que conheciam as famílias mais a fundo do que a equipe médica.'' Para Nina, outro papel fundamental dos voluntários era disponibilizar tudo o que o hospital público não conseguia, desde recursos financeiros até alimentos e medicamentos. ''Fiquei dez anos lá e quando voltei a Londrina vi uma reportagem sobre a Organização Viver e decidi que queria ajudar com a minha experiência e meu trabalho em nutrição'', lembra.
Sem perceber, Nina se apaixonou pelas crianças e tornou-se completamente envolvida com o voluntariado. ''Muitos passam até cinco anos conosco, em tratamento, e não tem como não criar uma relação afetiva. Elas acabam fazendo parte da nossa vida e nós da vida delas.''
Recordações
Ela relata que a Organização Viver foi fundada por quatro voluntários que atuavam há vários anos no Instituto do Câncer de Londrina, com recreação e ajuda financeira na compra de medicamentos para crianças e adolescentes internados ou em tratamento no hospital.
Como os recursos eram levantados junto às famílias dos voluntários, amigos e vizinhos, o grupo constatou a necessidade de se estruturar em uma entidade da sociedade civil organizada para garantir a realização de ações mais concretas, deixando de praticar somente o assistencialismo e a filantropia paliativa. Em 2001 a entidade recebeu o título de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) do governo federal e em 2002 ganhou o título de Utilidade Pública Municipal.
Hoje, a Viver atende 150 crianças e adolescentes de Londrina e região, que utilizam o espaço para tomar café da manhã, almoçar, fazer o lanche da tarde, além de brincar e descansar do tratamento oncológico. ''O sonho deles é dormir nessa casa, eles sempre pedem'', comenta Nina.
Para ela, a casa é um lugar mágico, ''onde crianças chegam passando mal, mas ao cruzar o portão, melhoram instantaneamente. Enquanto estão aqui elas brincam, ouvem histórias, assistem filmes, contemplam a natureza e a dedicação do voluntário ameniza o sofrimento, a náusea, minimiza a carga pesada que elas carregam''.
Com recursos de uma campanha e doações a organização construiu uma casa de dois andares na Rua Lucilla Ballalai (Zona Sul), onde fica o Instituto do Câncer, que irá garantir pernoite para algumas crianças e um quarto adaptado para pacientes pós transplante de medula. A nova sede deve ser inaugurada até o final de janeiro.
''Todo dia tem um voluntário no Hospital do Câncer que detecta novos pacientes e encaminha para a organização'', informa Nina, citando que a Viver fornece medicação extra-hospitalar e cesta básica para as famílias carentes, sem ajuda governamental. Hoje, a entidade conta com 15 colaboradores fixos e alguns esporádicos. No total, 20 voluntários e três funcionários cuidam da casa-abrigo, que vive de doações, não faz telemarketing, mas oferta um carnê solidário para quem quiser colaborar.


