Espaço na mídia era preocupação constante
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sexta-feira, 06 de abril de 2001
Valmir Denardin De Curitiba 
Nas 12 horas em que protagonizou um dos episódios mais tensos da história policial do Paraná, Pedro Graciano da Silva demonstrou uma compulsão quase doentia pela mídia. No final da tarde, quando mantinha três reféns sob a mira de um revólver 38, fez apenas uma exigência: a presença de três repórteres de emissoras de TV.
Graciano dizia não confiar na polícia e insinuava que a presença de jornalistas próximo ao cativeiro aumentava suas garantias de integridade. Ao mesmo tempo, tinha uma preocupação fora do comum para a exposição que seu crime estava tendo na mídia. Perguntava se havia muitos jornalistas em frente ao prédio e qual o espaço que o caso estava ocupando nos telejornais noturnos e nas emissoras de rádio.
Às 23 horas, quando as negociações atingiram um momento crucial e apenas o repórter Sandro Dalpícolo, da TV Paranaense, permanecia no interior do prédio, Graciano exigiu a entrada de uma repórter do SBT. Usei a sensibilidade feminina para ajudar a polícia a convencê-lo a se entregar, contou Joana Nin, 28 anos, que conversou com o sequestrador, por um ramal interno.
O desfecho do sequestro, à 1 hora de ontem, também se deu por meio da mídia. Ao se entregar, o vigilante desempregado fez questão de dar entrevista. Se mostrou articulado e à vontade com microfones, gravadores e blocos de anotações. Ao lado de motivações passionais para explicar o crime, disparou: Só a minha mãe ligava para mim. Agora, olha quanta gente querendo me ajudar!, afirmou, referindo-se aos jornalistas que o cercavam.


