Demorou, mas enfim os moradores Foz do Iguaçu podem usufruir de um espaço democrático no centro da cidade. Ele está aberto para todos, seja para quem sente a falta de um tostão no bolso ou para aqueles com a carteira ''cheia''. Iguaçuenses, imigrantes e turistas dão sinais de terem adotado a Praça das Nações como ponto de encontro em qualquer hora do dia. Isso, apenas uma semana após sua inauguração.
Recepções como essa foram raras nos 87 anos de emancipação Foz. É difícil lembrar de uma praça com empatia parecida. Talvez porque as outras se localizam em bairros elitizados ou então fora do eixo central. A Praça da Marinha, por exemplo, chegou a registrar certo sucesso, mas perdeu o ''glamour'' com o tempo, embora esteja no centro da cidade. Sua estrutura sofre com a falta de manutenção e a insegurança gerada com a proximidade à uma favela.
Já a Praça das Nações tem tudo para superar esses obstáculos (cabe ao tempo dizer se a alegria inicial é, na verdade, fogo de palha). Por enquanto, beleza não falta, pois seus bancos e luminárias compõe um belo cenário com a fachada e palmeiras do Colégio Bartolomeu Mitre, de 1952. Formosa pela sua arquitetura neocolonial, a escola cedeu seu pátio para construção da praça. A segurança também está garantida, com a iluminação da Avenida Jorge Schimmelpfeng.
Com essas características, a praça deve abrigar, em pouco tempo, representantes das 60 nacionalidades existentes na tríplice fronteira. Aliás, a diversidade de etnias da região foi determinante para a escolha do nome do largo. Antes, os locais públicos, no centro, mais próximos de unir os moradores e suas diversidades estavam resumidos aos templos religiosos, ao zoológico e ao parque ambiental distante do centro.
Quem sabe, a Praça das Nações desperte nos iguaçuenses sentimento semelhante ao amor dos londrineses pelo seu Calçadão, palco de tantas manifestações culturais e políticas (no calçadão de Foz, de uma quadra, a prioriodade é permitir o trânsito para veículos). Como escreveu o poeta Castro Alves:
''A praça! A praça é do povo,
como o céu é do condor.
É antro onde a liberdade
Cria águias em seu calor''.

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