Espaço democrático
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de dezembro de 2001
Alexandre Palmar 
Demorou, mas enfim os moradores Foz do Iguaçu podem usufruir de um espaço democrático no centro da cidade. Ele está aberto para todos, seja para quem sente a falta de um tostão no bolso ou para aqueles com a carteira ''cheia''. Iguaçuenses, imigrantes e turistas dão sinais de terem adotado a Praça das Nações como ponto de encontro em qualquer hora do dia. Isso, apenas uma semana após sua inauguração.
Recepções como essa foram raras nos 87 anos de emancipação Foz. É difícil lembrar de uma praça com empatia parecida. Talvez porque as outras se localizam em bairros elitizados ou então fora do eixo central. A Praça da Marinha, por exemplo, chegou a registrar certo sucesso, mas perdeu o ''glamour'' com o tempo, embora esteja no centro da cidade. Sua estrutura sofre com a falta de manutenção e a insegurança gerada com a proximidade à uma favela.
Já a Praça das Nações tem tudo para superar esses obstáculos (cabe ao tempo dizer se a alegria inicial é, na verdade, fogo de palha). Por enquanto, beleza não falta, pois seus bancos e luminárias compõe um belo cenário com a fachada e palmeiras do Colégio Bartolomeu Mitre, de 1952. Formosa pela sua arquitetura neocolonial, a escola cedeu seu pátio para construção da praça. A segurança também está garantida, com a iluminação da Avenida Jorge Schimmelpfeng.
Com essas características, a praça deve abrigar, em pouco tempo, representantes das 60 nacionalidades existentes na tríplice fronteira. Aliás, a diversidade de etnias da região foi determinante para a escolha do nome do largo. Antes, os locais públicos, no centro, mais próximos de unir os moradores e suas diversidades estavam resumidos aos templos religiosos, ao zoológico e ao parque ambiental distante do centro.
Quem sabe, a Praça das Nações desperte nos iguaçuenses sentimento semelhante ao amor dos londrineses pelo seu Calçadão, palco de tantas manifestações culturais e políticas (no calçadão de Foz, de uma quadra, a prioriodade é permitir o trânsito para veículos). Como escreveu o poeta Castro Alves:
''A praça! A praça é do povo,
como o céu é do condor.
É antro onde a liberdade
Cria águias em seu calor''.


