Espaço cultural moderno e com mais segurança
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terça-feira, 03 de setembro de 2013
Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
Londrina Os engenheiros que elaboraram projetos para a reconstrução do Ouro Verde, teatro londrinense destruído em um incêndio no dia 12 de fevereiro do ano passado, garantem que o espaço cultural mais tradicional do interior do Estado mesmo mantendo as características arquitetônicas protegidas por tombamento vai ressurgir muito mais seguro. Para isso, os projetistas driblaram as limitações de espaço e a impossibilidade de mudar a fachada. Eles admitem que a falta de espaço não permitiu inovações muito profundas nem a instalação de equipamentos muito sofisticados, mas que as alternativas escolhidas são suficientes para afastar quase que totalmente a chance de uma nova tragédia.
O engenheiro Valdir Navarro Carrion, especialista em prevenção de incêndio e que elaborou o Plano de Segurança contra Incêndio e Pânico da nova estrutura, revela que o prédio será dotado de sensores antifumaça em 60 pontos, principalmente na área da plateia.
A evacuação será orientada por uma sequência de dezenas de placas fotoluminescentes (que retêm luz na claridade e liberam na escuridão) instaladas nas rotas de fuga e que não precisarão de energia elétrica para ser ativadas. Estas rotas levarão a seis portas de emergência, que serão bem maiores que as anteriores. "A nova estrutura irá oferecer muito mais opções, novas rotas de fuga, enfim, uma boa segurança. Não vou ter nenhum receio de frequentar o teatro", afirma Carrion.
De acordo com o laudo da Polícia Científica, o incêndio que destruiu o teatro começou com um curto-circuito no forro de madeira e se propagou após fagulhas atingirem uma lona plástica que protegia algumas poltronas de uma reforma que ocorria no palco.
Outras adequações da reforma vão impedir que o esse processo de destruição volte a ocorrer, garante Carrion. Conforme a atual legislação, as poltronas, o forro, o piso e o revestimento acústico serão confeccionados com material especial, praticamente não inflamável. Até mesmo a madeira terá revestimento antifogo. "Tudo o que estiver dentro do teatro será muito resistente ao calor: será o menos combustível possível e mesmo que eles queimem a emissão de fumaça será também muito menor."
Sensores
Luiz Moacyr Spagnuolo, responsável pelo projeto de detecção e alarme de incêndio, disse que o sistema de detecção de fumaça poderia ser mais moderno, com a aspiração automática da fumaça, mas a implantação entraria em conflito com o projeto arquitetônico, tombado. Para a aspiração automática seria necessária a construção de uma câmara para armazenar a fumaça, tecnicamente inviável por causa da falta de espaço.
No entanto, o sistema evitaria o desfecho trágico do incidente ocorrido há um ano e meio. "Há várias possibilidades dentro do projeto. Se os sensores acusarem a fumaça quando o teatro estiver fechado, um alarme sonoro irá disparar e por certo alertará quem estiver fazendo a vigilância", explica.
No caso do teatro estar recebendo um espetáculo, para evitar o pânico, um aviso eletrônico será acionado na área administrativa. "É possível também ligar o sistema de sensores diretamente ao Corpo de Bombeiros, que receberia, por exemplo, um torpedo no celular." O sistema pode ser programado para evitar alarme falso no caso de espetáculos que usem fumaça no cenário.
Dutos
O novo cabeamento elétrico teve de ser redimensionado por causa de um grande incremento no sistema de iluminação cênica previsto no projeto e também será feito com material não propagante e que não libera gases tóxicos se for consumido pela chamas. "Aparentemente os dutos que abrigavam a fiação antiga não foram comprometidos e serão aproveitados", conta Brazil Alvim Versoza, responsável pelo projeto elétrico de baixa tensão.
O novo Ouro Verde também terá um sistema inteligente de climatização nas áreas reservadas, incluindo coxia, camarins e palco. Trata-se do sistema de fluxo variável, que ajusta a intensidade da climatização ao número de pessoas que estão no ambiente. De acordo com Pedro Maia Filho, responsável pelo sistema de ar-condicionado, a área da plateia será servida por um sistema central moderno e econômico. Segundo o engenheiro, normalmente a climatização significa 60% do consumo de energia. "Com este sistema de fluxo variável, a economia será da ordem de 30%, ou seja, menos custo de manutenção."
O edital de licitação da reconstrução foi assinado no dia 21 de agosto. A obra está orçada em R$ 14,6 milhões e pode começar ainda este ano. De acordo com a reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que administrativa o espaço, a parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) que assumiu os custos dos projetos e teve a colaboração de empresas associadas na cessão de profissionais resultou numa economia de cerca de R$ 4 milhões. A previsão é que o teatro seja entregue a tempo de abrigar a edição de 2015 do Filo.


