O entupimento da rede de esgoto que corta Campo Mourão de leste a oeste fez com que dejetos ficassem vazando durante cerca de 10 dias numa área rural a menos de 100 metros do rio Quilômetro 119. A área fica em um banhado de uma chácara próxima ao perímetro urbano. Moradores vizinhos disseram que os dejetos chegaram até o rio, mas a Sanepar nega.

A dona de casa Marli Kath Barbosa, que mora na chácara 5R, onde ocorreu o vazamento, contou que o mau cheiro começou a ser percebido há duas semanas. ''Chegamos a pensar que poderia ser algum cadáver'', afirmou. Como o local onde passa a rede é um pasto abandonado, somente alguns dias depois é que o marido dela descobriu o vazamento do esgoto.

Segundo Marli, a Sanepar foi avisada três vezes do vazamento, mas só apareceu no local na segunda-feira passada, uma semana depois do primeiro aviso. Técnicos da empresa iniciaram os trabalhos no local na segunda-feira e só concluíram na quarta-feira à tarde. No último dia foram usados três caminhões de água na tentativa de desentupir a rede.

O gerente da Sanepar em Campo Mourão, Roberto Takashina, afirmou ontem que a empresa atendeu o chamado prontamente, mas houve dificuldade para achar o ponto que estava obstruído, que ficava a cerca de 200 metros do local do vazamento. ''Apesar do transtorno, não houve dano ambiental'', disse.

O entupimento da rede foi provocado por pedras de até 10 quilos jogadas na tubulação através dos chamados ''postos de visita'', que são feitos justamente para a limpeza dos tubos. ''Foi um caso de vandalismo'', disse Takashima.

O chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Paulo Banedito Tanahaki, visitou o local e disse que a Sanepar deverá ser autuada. Ontem à tarde ele estava em reunião fora do IAP e não pôde atender a reportagem.

mockup