Esgoto vaza, polui lagoa e mata peixes
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sexta-feira, 08 de julho de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Uma tubulação de esgoto da Sanepar transbordou e os dejetos atingiram uma lagoa e um afluente do Ribeirão Jacutinga e provocaram a morte de peixes em uma chácara localizada nos fundos do Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte de Londrina). A Sanepar argumentou que o transbordamento aconteceu porque o coletor-tronco que passa pela propriedade entupiu devido ao mau uso da rede. A empresa também descartou a possibilidade de fazer a vontade do dono da propriedade, João Miguel Fernandes, de retirar as tubulações da área. De acordo com ele, o esgoto vazou por cerca de 18 horas.
Fernandes percebeu o vazamento ontem pela manhã, quando foi ligar uma bomba para encher o reservatório usado pela família, que está sem água. ''Senti o cheiro forte de esgoto e vi o vazamento'', apontou. Ele afirmou que no final da tarde de anteontem já havia percebido um cheiro de esgoto mas acabou não percebendo o transbordamento, que só foi contido por volta do meio-dia de ontem. Os efluentes atingiram uma lagoa e escorreram até o córrego Água das Pedras, que desemboca no Ribeirão Jacutinga. A água poluída deixou um rastro de peixes mortos por onde passou.
Advogado por formação, o dono da propriedade brigou por mais de dois anos com a Sanepar para evitar que as tubulações passassem por sua terra. Há cerca de quatro anos acabou concordando porque a empresa de saneamento assegurou que faria manutenção periódica e caso houvesse problemas teria se comprometido a mudar a rede de local. ''Desde que construíram, nunca veio ninguém aqui. O pior é que a rede passa a 20 metros das minhas minas d'água quando a legislação prevê 100 metros'', observou. Para ele, o melhor a fazer seria construir uma estação de recalque para captar o esgoto que passaria pela rua e não colocaria em risco o meio ambiente.
O gerente regional da Sanepar, Oscar Fernandes, explicou que o entupimento ocorreu num posto de visita do coletor-tronco que passa pela chácara e leva o esgoto até a estação elevatória do Conjunto Parigot de Souza. ''O que causa isso é a má utilização da rede'', justificou. A lagoa, segundo ele, reteve parte dos resíduos sólidos, mas a sujeira chegou até o Ribeirão Jacutinga, de onde é captada a água consumida pela grande maioria dos 48 mil habitantes de Ibiporã. A empresa municipal de abastecimento de água e esgoto (Samae) atestou que a contaminação não interferiu na captação.
A Sanepar se comprometeu a limpar a lagoa e repovoá-la com peixes. O gerente descartou mudanças na rede. ''O rumo do coletor tem que obedecer a lei de gravidade'', alegou.
Fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) estiveram no local e coletaram amostras da água. Os resultados devem sair dentro de cinco dias e só então poderão ser definidas possíveis medidas contra a Sanepar.


