Esgoto será usado como fertilizante
Maigue Gueths
A Sanepar vai reciclar e comercializar, até o final deste ano, o lodo produzido nas estações de tratamento de esgoto, para que seja usado como adubo em alguns tipos de cultura agrícola. Num projeto piloto feito em conjunto com a Emater, foram recicladas duas mil toneladas de lodo, utilizado em áreas da região metropolitana. Em algumas culturas como o milho, feijão, aveia e girassol o uso do lodo garantiu um aumento na produtividade entre 12 e 80,4%. Associado a fertilizante mineral, em lavouras de milho, o aumento médio na produtividade foi de 40%.
Até o final do ano, o projeto será implantado em Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu, onde pretende-se reciclar 100% do material, e em Curitiba a reciclagem deve ficar em torno de 50%. O lodo produzido mensalmente no Paraná chega a aproximadamente 900 toneladas secas. A Sanepar não sabe, ainda, quanto deverá custar o adubo. Segundo o coordenador do Programa Interdisciplinar de Pesquisa do Lodo, Cleverson Vitório Andreoli, a princípio a empresa deverá cobrar um preço simbólico, para que o produto se torne conhecido entre os produtores. Só depois será estabelecido um preço condizente com o mercado.
Há também alguns critérios para a utilização do lodo, como a aptidão do solo e o tipo de cultura. Alimentos cuja parte comestível encoste no solo, como a batata, não poderão receber o lodo como medida de segurança. Andreoli, entretanto, diz que seu uso é totalmente seguro, pois a reciclagem garante que o material tenha qualidade compatível para este uso.
Esta técnica é usada mundialmente e tem se mostrado a mais adequada do ponto de vista sanitário, ambiental e econômico, diz. A reciclagem terá um custo, para a Sanepar, de R$ 30,00 a tonelada, seis vezes menos do que se paga pela incineração do lodo, um dos métodos mais usados atualmente para o resíduo. Outra destinação é o aterro sanitário.
Além de aumentar a produtividade, o lodo também atua melhorando as características físicas do solo, aumentando sua capacidade de armazenagem, de infiltração de água e aumentando a estabilidade dos torrões de terra. Com isto, aumenta a resistência do solo contra a erosão, diz Andreoli. Estudos sobre o projeto estão sendo feitos desde 1988 pela Sanepar, com custo de R$ 300 mil. O projeto, feito em parceria com a Emater, Iapar, IAP, ISAM/PUC, UEL, UFPR e SENAI/CETSAM, está sistematizado no livro Reciclagem de Biossólidos - Transformando Problemas em Soluções, que a empresa lança hoje.





