Moradores da favela Quati (zona norte) estão reclamando que há pelo menos um mês o esgoto que passa pela rua Seimo Oguido e desce pela ‘rua 2’ entupiu em vários pontos, provocando alagamento e mau cheiro.
Ainda segundo os moradores, a Sanepar foi ao local várias vezes, jogou jatos de água dentro da tubulação, mas que em pouco tempo o esgoto entupia novamente. ‘‘Todo dia a água sobe de duas a três vezes e ninguém resolve nada’’, afirma o morador Valdecir Alves.
Para piorar a situação, a água que sobe é azul escura e acompanhada de fiapos de roupa, além de pequenas pedras usadas em lavagem industrial. A lavanderia Clarear, instalada há um mês na Seimo Oguido, é apontada pelos moradores como a responsável pela poluição e também pelo entupimento do esgoto. ‘‘É isso que tá entupindo’’, diz Alves.
Outro problema é que a água acaba entrando na rede pluvial e vai parar direto no rio Quati, que passa abaixo da ‘rua 2’. O rio, segundo os moradores, é usado para pesca e também pelas crianças do bairro.
‘‘Isso é material químico e a gente fica preocupado com as crianças que brincam na rua e no rio. Aqui tá cheio de criança e também de criação’’, completa Alves. Ele conta que tentou conversar com o responsável pela lavanderia mas não foi recebido. ‘‘Me pegaram pelo braço e me tiraram para fora’’.
Na frente da casa de dona Maria Nunes das Dores, o esgoto rompeu na calçada, formando um poço de lama. ‘‘Antes de abrir a lavanderia isso não acontecia’’, diz. Das Dores espera que o problema seja logo resolvido para ela finalmente fazer um banheiro dentro de casa. Maria tem sete filhos, três deles ainda pequenos e que acabam entrando em contato com a água - assim como outras crianças do bairro.
O proprietário da lavanderia Clarear, Laércio João Rockenbach, garante que não tem nada a ver com o esgoto entupido. ‘‘O problema é da Sanepar. Fizeram a ‘caixa do posto’ e antes de ela secar passaram a máquina do asfalto por cima. Então caiu pedra lá dentro e por isso entupiu.’’ O empresário mostra que tem um sistema composto por três telas que retém resíduos sólidos, como pedras de lavagem e fiapos, antes de a água descer pela tubulação. Por isso, segundo ele, não é possível que a empresa esteja lançando os resíduos sólidos no esgoto.
‘‘Aqui na região tem outras lavanderias, que também podem estar soltando as pedras e os fiapos. E se fosse para entupir, o esgoto já teria entupido aqui mesmo, dentro da lavanderia, e não só lá fora’’, diz. Rockenbach afirma também que a água é azul em função da tinta soltada pelo jeans lavado pela empresa.
O presidente da Associação de Moradores do local, Daniel Rosa Mendes, concorda com o proprietário da Clarear e diz que o problema é da Sanepar. ‘‘Ele arrumam num dia e no mesmo dia estraga de novo’’, diz. Mendes é funcionário da empresa.
A Clarear, segundo o proprietário, atende a aproximadamente 50 clientes de Londrina e região - a maioria pequenas confecções -, lavando a roupa fabricada antes de ir para o comércio. A vazão da água da empresa para o esgoto é de aproximadamente 2 mil litros por hora. Rockenbach garante também que está construindo na empresa um sistema de tratamento de água para tirar qualquer resíduo químico da água que solta pelo esgoto. Até fevereiro a obra deve estar concluída.
Paulo Kishima, gerente metropolitano da Sanepar em Londrina, diz que a pavimentação na ‘rua 2’ acabou involuntariamente jogando brita num ‘poço de visita’, o que provocou o entupimento. Por isso, explica, dificilmente as pedras e os fiapos jogados por lavanderias da região tenham causado o problema. O asfalto foi concluído pela Prefeitura há menos de uma semana. ‘‘O progresso quando chega sempre vem acompanhado de alguma coisa.’’
Kishima explica que na semana passsada a Sanepar ficou durante três dias para acabar com o entupimento. Mas ontem houve um rompimento da rede de esgoto, o que fez com que a água subisse novamente. ‘‘Hoje (ontem) o pessoal já passou lá e resolveu o problema’’.
Sobre o possível lançamento de produto químico no esgoto, Kishima diz que não é possível apontar responsabilidade sem ter em mãos um laudo técnico da água despejada no esgoto. A Sanepar realiza, junto com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), fiscalização para evitar que sejam jogados no esgoto substâncias - inclusive químicas - que possam atrapalhar o tratamento da água.
No entanto, Kishima acredita que a empresa já foi notificada pelo Instituto, já que está construindo uma estação de tratamento de água.

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