Esgoto e crise política ameaçam temporada
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terça-feira, 18 de novembro de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
A poucos dias do início da temporada de verão 2008/2009, o esgoto, a má qualidade da água do mar e a crise financeira e política que afeta algumas cidades do litoral do Paraná preocupam moradores e empresários da região. "A gente vê que as cidades maiores ainda sofrem com as enchentes e a má qualidade da água", diz o empresário Eduardo Maranhão, proprietário dos hotéis Camboa de Paranaguá e Antonina.
"É uma situação que incomoda porque há uma repercussão ruim desses problemas na mídia", completa José Chicarelli, presidente da Associação de Hotéis, Bares e Restaurantes do Litoral. Chicarelli está particularmente preocupado com a "crise sem fim" que afeta os municípios de Guaratuba e Matinhos desde outubro. As duas cidades enfrentam problemas financeiros, com atrasos no pagamento de salários e dificuldades para manter o atendimento médico.
"As cidades do Litoral vão passar por uma transição política em plena temporada", alerta. Segundo Chicarelli, os prefeitos eleitos já estão se movimentando para facilitar o processo de transição. Em Guaratuba, a prefeita eleita Evani Justus (PSDB) irá receber, segundo ela, uma cidade sem dinheiro em caixa no dia 1º de janeiro, mas está confiante. "Os problemas existem para que a gente resolva", diz.
A prefeita eleita diz estar fazendo um levantamento da situação. "Nossa prioridade é recuperar a credibilidade do município, limpar as valetas e reativar o atendimento de saúde", adianta. A reportagem da FOLHA tentou conversar com o atual prefeito de Guaratuba, Miguel Jamur e com o prefeito eleito de Matinhos, Eduardo Dalmora (PDT). A assessoria de imprensa de Jamur informou que o prefeito não está "disponível para entrevistas". Dalmora não retornou as ligações.
Em Pontal do Paraná, o atual prefeito, Rudisney Gimenes (PMDB), se reelegeu, mas não deve escapar das dificuldades de caixa neste fim de ano. "Por causa da lei de responsabilidade fiscal, a gente acaba tendo que zerar o caixa para fechar o ano sem dívidas, porque a lei não deixa", conta. "As dificuldades que temos são as mesmas que a dos prefeitos eleitos, mas a vantagem é que vamos poder dar continuidade ao trabalho que já está sendo feito", avalia. Segundo Gimenes, Pontal "está com todas as unidades de saúde em perfeito funcionamento, farmácias abastecidas e sem dívidas".
Velhos conhecidos dos veranistas, os alagamentos são conseqüência da falta de manutenção da rede de águas pluviais, explica a diretora de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Arlete Rosa. "As prefeituras não fazem a limpeza das tubulações", aponta. Por outro lado, a empresa informa ter acabado com a falta de água na região. "Faz cinco temporadas que não há mais problemas de abastecimento", comemora. "Houve um avanço na resolução de velhos problemas", admite Chicarelli. "Mas o planejamento de longo prazo não avançou", critica.
Para o prefeito de Pontal do Paraná, a solução para o problema dos alagamentos é complexa. "É uma região em que é natural ter alagamento porque é bacia", explica. Segundo ele, a cidade teria que receber "um trabalho maior de drenagem". "Isso está sendo estudado, mas o impacto ambiental é muito grande", completa.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), responsável pela coordenação da Operação Verão, informou à FOLHA que "todos os anos, durante o ano todo, os órgãos do governo do Paraná estão no Litoral atendendo à comunidade local e avaliando os pontos que precisam ser melhorados para a temporada". "Tínhamos problemas com esgoto e com a balneabilidade, estamos resolvendo isso com investimentos de cerca de R$ 150 milhões e agora dependemos muito da população se ligar à rede para melhorar ainda mais a nossa balneabilidade", informou a Sesp em comunicado enviado à reportagem.


