‘‘Não posso mais abrir a veneziana do quarto, porque o mau cheiro é insuportável.’’ A queixa é da dona de casa Neusa Maria Anicésio Pereira, 35 anos. É que ela mora na Rua Xenofonte, 57, no Bairro Cervejaria (zona leste), e há pelo menos três anos é obrigada a conviver com esgoto a céu aberto.
O bairro ainda não conta com rede de esgoto e o Restaurante Norte-Sul, localizado na esquina da Xenofonte com a Rua Don Henrique, lança o esgoto da cozinha na rua. O esgoto escorre pelo meio-fio, espalhando restos de comida.
A comerciante Angélica Janaína Carvalho, 21 anos, mora há apenas um mês na casa de número 86. Mas já não suporta mais o incômodo causado pelo esgoto a céu aberto. ‘‘A situação é inaceitável. O esgoto escorre por quase 100 metros, exalando um horrível cheiro de lavagem de porcos’’, reclama.
Neusa e Angélica contam que os moradores já cobraram providências da Prefeitura, Autarquia do Meio Ambiente (AMA) e também da Vigilância Sanitária. ‘‘Lamentavelmente ninguém tomou nenhuma providência’’, critica Neusa, acrescentando que a situação chegou a um nível que a obriga a vender a casa.
‘‘Além de sermos obrigados a conviver com o mau cheiro, até desentendimento entre vizinhos já ocorreu. Por tudo isso, colocamos a casa à venda, mas os interessados desistem quando percebem o problema’’, completa a dona de casa.
O proprietário do Restaurante Norte Sul, Rogério da Silva Cabra diz que, diariamente, sempre depois do almoço, lava a cozinha do restaurante e a água - com gordura - acaba indo parar na rua. ‘‘O problema é que aqui não há rede de esgoto. E a gente tem que lavar a cozinha. Agora, o que sobra (restos de comida) vai para o lixo’’, garante.
Cabral comprou o restaurante há oito meses e informa que já conversou com pelo menos um vizinho, que tinha reclamado, e explicou que não tem outra saída até que as obras de esgoto sejam realizadas. Afirma também que já recebeu a visita de fiscais da prefeitura, que - segundo ele - constataram que não tinha muito o que melhorar.
O comerciante diz que o problema é maior porque a água desce pelo meio-fio, atravessa a rua, na metade do quarteirão, e acaba empoçando em frente de algumas casas. ‘‘Mas a gente não pode deixar o restaurante sujo’’, diz. Sobre o mau cheiro, ele comenta: ‘‘Para mim o cheiro não é ruim.’’ Ele acredita que o que pode estar exalando mau cheiro são as fossas instaladas na rua.
Solange Marques de Lima, da coordenação do setor de alimentação da Vigilância Sanitária de Londrina, informa que, pelo menos, no último mês não houve reclamação formal sobre o restaurante.
Ela acrescenta que o lançamento de água suja na rua - ou ‘‘água fervida’’, como também é chamada -, com gordura e restos de comida, é proibido por atrair moscas e provocar mau cheiro. E orienta que a reclamação seja formalizada mesmo pelo telefone. Assim que isso for feito, um fiscal da área de saneamento irá até o local. Se o problema for constatado, o comerciante será orientado sobre como evitar a irregularidade.Paulo WolfgangInconformadaAngélica Janaína Carvalho: ‘A situação é inaceitável’Áureo Nogueira
e Lúcio Horta

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