Esgoto corre a céu aberto na Zona Sul
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terça-feira, 13 de maio de 2008
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
O nome da rua é Brasil Filho, no Residencial Vale do Cambezinho, na Zona Sul de Londrina. Os moradores, no entanto, são filhos dessa pátria que está longe de ser uma mãe gentil. E parecem estar abandonados à própria sorte. Um cenário que para muitos parece distante da realidade londrinense faz parte de sua rotina, e eles são obrigados a conviver com o esgoto escorrendo pela sarjeta. Ontem o problema foi causado pelo entupimento da rede que atinge apenas alguns imóveis. Pior para quem passa o dia inteiro em casa e sofre os efeitos do mau cheiro constante, como dor de cabeça e risco de doenças graves.
Parte dos moradores da via foi para o local há cerca de cinco anos. Nessa época, as famílias que ocuparam baias de cavalo nas proximidades foram realocadas na Brasil Filho. A estrutura, segundo os próprios moradores, não é ruim. O local conta com asfalto, energia elétrica e água encanada. A rede de esgoto, porém, não está disponível para todos.
São justamente os moradores que não contam com os serviços de saneamento que sofrem os efeitos dos constantes vazamentos de esgoto. O pior é o cheiro forte, em especial nos horários das refeições. ''Tem gente que passa de carro por aqui e reclama com a gente do odor, como se a gente tivesse culpa'', comentaram moradoras que não quiseram se identificar.
A dona de casa Michele Aparecida Borges, 26 anos, lembrou que nos dias quentes a situação fica ainda pior. ''Quando bate o sol é que o cheiro fica mais forte ainda'', declarou. E o esgoto que escorre pelas ruas do bairro cai todo no vizinho Parque Arthur Thomas. Até lavar roupa torna-se um transtorno, uma vez que as peças ficam impregnadas com o odor.
O problema, no entanto, não impede que as crianças do bairro brinquem na rua, correndo o risco de contaminação. Resignadas, as mães até ficam preocupadas, mas dizem que não têm como proibir. E o único lugar que eles têm para se divertir é a rua. Até porque a única área verde próxima - entre a rua e o Parque Arthur Thomas - está tomada pelo mato.
O sofrimento não é novidade para grande parte dos moradores da Brasil Filho. Antes de mudar para o Vale do Cambezinho eles ocuparam baias de cavalo nas proximidades. ''Quando a gente mudou para cá, achava que não teria mais problemas, mas esse cheiro é muito forte'', lamentou a também dona de casa Cleusiane Maria da Silva, 30 anos.
O grupo formado por mais de 15 pessoas invadiu as baias em fevereiro de 2004, por falta de condições de pagar aluguel, e só deixou o local depois de receber os terrenos no Vale do Cambezinho. Ali eles ergueram casas e barracos e vivem até hoje.
Na tarde de ontem uma equipe da Sanepar foi ao local para verificar a situação. De acordo com a assessoria de imprensa, o problema detectado foi o entupimento de um dos ramais da rede de esgoto por pedras, provavelmente provenientes de alguma construção ou reforma.
Os operários fariam a desobstrução do ramal, além de lavar a rua por onde o esgoto escorreu. A assessoria da companhia ressaltou ainda que os moradores devem usar corretamente a rede de esgoto para impedir entupimentos e vazamentos. A orientação é que os entupimentos de rede sejam informados à companhia pelo telefone 115.


