Esgoto corre a céu aberto em área central
Paulo Ubiratan
De Londrina
Moradores do Jardim Pindorama, zona leste de Londrina, estão revoltados com a poluição do Ribeirão Rio da Pedras, que virou um esgoto a céu aberto. São cerca de 800 pessoas que vivem nas proximidades. Elas reclamam do mau cheiro que atinge todo o bairro, situado num fundo de vale. A Folha apurou que da nascente do ribeirão até a ponte sobre a Rua Santa Terezinha, esquina com a Rua Santa Rosa trecho de aproximadamente 300 metros existem cerca de tubulações que despejam esgoto, provevalmente sem tratamento.
A diretora do setor de epidemologia e saúde ambiental da Vila da Saúde, Mara Ferreira, afirmou que nos últimos três mêses aumentou o índice de presença do mosquito Aedes aegipty (transmissor da dengue) no bairro e na Vila da Fraternidade, que fica ao lado. Segundo levantamento feito pelo setor, no começo deste mês foi registrado um índice de ocorrência de 5,33%, quando o considerado ideal pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é inferior a um por cento. A média de todo o município de Londrina é de 0,86%. Desde segunda-feira, 36 agentes estão distribuindo aos moradores kits de combate a dengue.
Não entendo o motivo de estarem distribuindo estes kits, quando não existe preocupação de combater este focos de poluição que produzem as mais variadas doenças, desabafou a moradora Maria do Rosário da Silva. Ela contou que por causa da poluição do ribeirão, até a creche do bairro foi obrigada a fechar. A dona de casa enfatizou que um dos grande problemas do Jardim Pindorama é a falta de uma associação de bairro para revindicar soluções específicas para a comunidade. A que existe é formada por moradores da Vila da Fraternidade.
Para os moradores, não existe uma explicação oficial de quem realmente polui o Ribeirão Rio da Pedras. No entanto, alguns moradores afirmam que a maioria das tubulações tem início na área central da cidade. Esta fossa a céu aberto está se tornando uma verdadeira latrina de Londrina, desabafou o morador Reinaldo Wanderlei da Silva.
O comerciante Jair Pereira Nunes tem seu estabelecimento (sacolão) bem perto da ponte sobre a Rua Santa Terezinha. Ele disse que a poluição acontece há mais de um ano e que cansou de pedir solução à Sanepar, que nunca resolveu o problema. Trata-se de um desrespeito conosco e coloca nossa saúde em risco, afirmou.
O gerente metropolitano da Sanepar em Londrina, Paulo Kishimam, disse que nunca recebeu reclamação sobre a poluição do córrego por parte dos moradores. Estranho isso, pois logo que recebi a reclamação de vocês (da Folha), nosso pesssoal saiu a campo e descobriu que tratava-se de um rompimento na rede. No entanto, não podemos descartar que também existam ligações clandestinas de esgotos nas galerias de água pluviais. Vamos também fazer um levantamento neste sentido
Ao tomar conhecimento da poluição, a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) determinou que a Sanepar fosse notificada sobre o problema, e solicitou a elaboração de um laudo, cuja a cópia deverá ser remetida para o Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Até o final da tarde de ontem o Ribeirão Rio das Pedras continuava a poluido.Ribeirão corta bairro na zona leste de Londrina e leva mau cheiro e perigo para cerca de 800 moradores próximos
Josoé de CarvalhoLOCAL DE PASSAGEMPonte sobre o ribeirão afetado pela poluição, no Jardim Pindorama: pelo local passam os moradoresJosoé de CarvalhoO comerciante Jair Pereira Nunes, dono de sacolãoJosoé de CarvalhoPelas tubulações desce esgoto, em vez de água





