Esgoto coletado ainda volta para os rios
Saúde e preservação do meio ambiente. O esgoto urbano - coleta, tratamento e destino dos resíduos finais - está entre os principais vilões a serem vencidos na batalha de melhorar a qualidade de vida nas áreas com grande concentração humana. Obras complexas e de alto custo, entretanto, não são suficientes para garantir a pureza da água dos rios. É preciso educar e conscientizar a população sobre os prejuízos das ligações irregulares, que continuam poluindo bacias de rios, mesmo daqueles que já contam com estações de tratamento.
No Brasil, a coleta de esgoto atinge apenas 35% da população urbana e somente 8% do material coletado é tratado. O resultado é infeliz: o País lança cerca de 10 milhões de litros de esgoto in natura em seus rios todos os dias. Como se não bastassem as dificuldades para ampliar a coleta e o tratamento - a falta de recursos é a principal - o lodo resultante do tratamento representa outra ameaça. Técnicos reconhecem que não é incomum no País o lodo ser devolvido aos rios quando não há mais onde armazená-lo. Dinheiro jogado fora e meio ambiente comprometido.
Profissionais de universidades do Paraná desenvolvem pesquisas em parceria com a Sanepar e instituições nacionais e internacionais. Os principais objetivos são estudar alternativas de tratamento que possibilitem melhorar a qualidade dos efluentes devolvidos aos rios, principalmente aos mananciais, e solucionar a destinação do lodo, que pode ser reciclado e transformado em fertilizante. Pequenos produtores agrícolas do Paraná são incentivados a usar o produto, que pode ser empregado em culturas que ocupam vastas áreas do Estado.
Apesar da situação desanimadora do Brasil, não se pode negar que o Paraná é uma exceção quando se fala em tratamento de esgoto. Cerca de 36% da população do Estado é beneficiada com coleta e 76% do esgoto recolhido é tratado. Nos próximos quatro anos, a empresa responsável pelo saneamento deve investir R$ 800 milhões em sistemas de coleta e tratamento. A meta é ampliar a coleta, em três anos, para 60% da população e tratar todo o material coletado.





