Multas mais pesadas e fiscalização mais atuante para resolver o problema de ligações clandestinas de esgoto em Londrina. A proposta foi tirada ontem, durante uma reunião entre Promotoria Pública do Meio Ambiente, Sanepar, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e Conselho do Meio Ambiente (Consemma). A ação conjunta entre os órgãos é considerada a melhor maneira de acabar com o extravasamento do esgoto e as suas consequências, contaminação do solo e de ribeirões e esgoto a ceú aberto.
Segundo o promotor de defesa do Meio Ambiente, Eduardo Matni, foi constatado que muitas vezes os infratores preferem pagar a multa da ligação clandestina de esgoto, mais barata do que gastar com os reparos para fazer a ligação regular. Daí a necessidade de aumentar os valores das multas e autuar os infratores. ''Fazendo um trabalho conjunto com o Ministério Público será possível notificar as pessoas sob pena de ação civil pública'', afirmou.
Em Londrina, no ano passado, durante inspeção da Sanepar em 30 mil residências, foram verificadas 4,7 mil ligações clandestinas, o que corresponde a mais de 15% das casas vistoriadas. ''Até hoje quatro mil ainda estão irregulares, apesar da multa'', informou Sérgio Bahls, gerente metropolitano da Sanepar. Segundo Bahls, as multas giram em torno de R$ 60,00 a R$ 100,00, mesmo para reincidentes, enquanto a regularização pode custar R$ 500,00 ou mais.
Bahls explicou que as ligações irregulares causam uma vazão quatro vezes maior que o normal na rede de tratamento de esgoto em um dia de chuva, causando o extravasamento. ''Toda essa água também 'lava' a fauna de bactérias usadas para tratar o esgoto e uma nova criação leva tempo'', disse. Outro problema é a ligação de esgoto diretamente nas tubulações pluviais que desembocam direto nos ribeirões, sem tratamento.
Ontem, durante a reunião também foram apresentadas medidas compensatórias propostas pelo Ministério Público à Sanepar, uma maneira de ''compensar'' danos ambientais causados ao município. As medidas fazem parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo MP e deverão ser analisadas pela Sanepar no próximo mês.

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