Esgoto adia sonho de pescar no rio
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segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe Folha 
O empresário Alcides Danker tem um sonho. Quer poder voltar a pescar no Rio Barigüi. Morador do bairro de Santa Felicidade, em Curitiba, Danker costumava pegar peixes nas águas do rio na década de 1980. O tempo passou, a população em torno da Bacia do Barigüi cresceu e a rede de coleta e tratamento de esgoto não acompanhou a demanda. E as tardes de pescaria no rio acabaram. "Mas um dia vamos conseguir ter peixes sadios no Barigüi novamente", diz.
É que o empresário é um dos membros do Fórum Pró-Barigüi, que reúne governo, comunidade e empresas para promover ações de preservação e limpeza dos rios da bacia. É o envolvimento de tanta gente em torno da idéia de ver vida nas águas do Barigüi que deixa Danker otimista. "Começamos o trabalho em 1988, com o Clube de Pesca Vêneto. Já naquela época tínhamos a preocupação de educar a comunidade para preservar o meio ambiente", lembra. Tudo para evitar que o esgoto estragasse algumas das vistas mais bonitas da cidade.
Entre as ações do fórum está o envolvimento de moradores em atividades que levam educação ambiental para as escolas, igrejas e demais instituições da região. E o envolvimento de órgãos deu notoriedade aos problemas do rio. "Antes a Sanepar tinha receio de vir à reunião. Agora aparecem sempre", comemora.
Na luta para manter o bairro limpo, os membros do clube perceberam que esse não era um trabalho exclusivo dos moradores de Santa Felicidade. "O rio nasce em Almirante Tamandaré (Região Metropolitana de Curitiba) e atravessa a Capital. Então para ter sucesso qualquer ação de despoluição precisa envolver a comunidade de toda a bacia", explica. Em Almirante, a rede de coleta de esgoto atende a apenas 30% da demanda. Como resultado, o rio já chega a Curitiba poluído.
No entanto, em Curitiba a situação não é muito melhor. Em toda a área do Barigüi -que compreende 27 bairros das regiões noroeste e sudoeste da Capital- a rede de esgoto tem cobertura estimada em 60%, segundo o secretário municipal do Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto. O que não está ligado ao sistema acaba sendo despejado na rede de águas pluviais. Os dados sobre coleta de esgoto na região não são precisos, uma vez que a Companhia Paranaense de Saneamento (Sanepar) e a Prefeitura Municipal de Curitiba não se entendem.


