O papel principal das mulheres nos dez primeiros anos de colonização de Londrina era cuidar dos afazeres domésticos, mas quando a família tinha um comércio ou prestava um tipo serviço elas também ajudavam. A historiadora Amélia Tozzetti Nogueira chegou a Londrina aos três anos de idade. Ela lembra das vendas da Avenida Duque de Caxias. ''Na Casa Pombal, a mulher era uma portuguesa e estava sempre no balcão. Tinha tabém um açougue em que a mulher ficava no caixa e o marido cortava, pesava e embrulhava as carnes'', disse.
Aos 75 anos, dona Amélia lembra que a família era mais centralizada e que os papéis paterno e materno eram bem definidos. ''Na famílias mais pobres as mulheres ajudavam trabalhando como lavadeiras. Na minha opinião, Londrina foi criada com o trabalho, que vinha sempre em primeiro lugar. A pessoa não estava apta para nada se não cumprisse o trabalho'', lembrou.
Por conta da falta de infra-estrutura, dona Amélia destaca que é impossível pensar a cidade sem as mulheres. ''A mulher realmente deu seu suor em uma sociedade que era muito machista.'' Sobre a Londrina de hoje, a pioneira lamenta os poucos cuidados com a preservação da história. ''A nossa consciência de cidadania ainda é muito pequena. Se as pessoas soubessem como foi difícil a construção, elas cuidariam mais'', afirmou.
Aos 85 anos, a pioneira Diva Scheidid Alves lembra que quando chegou à cidade, em 1933, aos seis anos, não havia nada, ''nem o trem chegava aqui''. Ela veio na companhia do pai e dos dois irmãos e contou que as famílias eram unidas. ''Não tinha luz. No começo era só lamparina e para tomar água precisava buscar no poço. Banheiro não tinha dentro de casa, também não tinha médico na cidade e o padre vinha só uma vez por mês para rezar a missa'', lembrou.
Hoje, quando sai na janela de seu apartamento e olha para o Calçadão, dona Diva comenta que não dá para acreditar que esta é a mesma cidade daquela época. ''Cresceu muito rápido'', refletiu. Integrante de uma família abastada, ela foi uma das primeiras alunas a serem matriculadas no Colégio Mãe de Deus. O pai tinha um açougue e ela lembra das mulheres que naquela época tinham uma vida de dedicação exclusiva à família. ''Era difícil, mas eu tenho saudade daquele tempo''. (M.A.)

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