Esforço e dedicação que aprovam
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
A expectativa de milhares de vestibulandos que disputavam vagas nos cursos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), terminou ao meio-dia de quarta-feira, no Aterro do Lago Igapó, quando foi divulgado o caderno FOLHA Vestibular com a lista dos aprovados.
Para aqueles que alcançaram o resultado tão desejado, a sensação é de um novo começo e o alívio em saber que todo o esforço depositado nas aulas de cursinho resultou em uma vaga na universidade. Esforço esse que parece ter um gostinho a mais para os alunos do Curso Especial Pré-Vestibular (CEPV) da UEL, direcionado a pessoas de baixa renda e que sempre estudaram na rede pública. Na 1 convocação do Vestibular 2012, o CEPV aprovou 75 alunos, o que representa 27% dos 280 inscritos no cursinho.
Um exemplo é o londrinense Sebastião Junior dos Santos, de 18 anos, aprovado em Psicologia. Ele conta que não tinha condições de pagar por um cursinho particular e, por isso, começou a se preparar quando ainda estava no terceiro ano do Ensino Médio. ''Minha mãe que trabalha com serviços gerais no Hospital das Clínicas me falou sobre o cursinho da UEL que é ofertado gratuitamente. Foi uma oportunidade'', conta.
No primeiro vestibular, Santos não conseguiu uma vaga. ''Eu não acreditei muito em mim e foquei muito na concorrência. Isso não dá certo'', comenta. Desta vez, o resultado foi diferente. ''Passei em Psicologia, como eu sempre quis. Além de ter mais confiança no meu conhecimento, me preparei muito'', diz o futuro universitário, ao afirmar que nos últimos meses chegava na UEL às 13 horas e só ia embora às 23 horas. ''Ficava estudando e tirando dúvidas'', conta.
''Valeu a pena''
Watson Make Oliveira de Andrade, de 18 anos, também está com muitos planos. Com a aprovação no curso de Letras, pretende arrumar um emprego e se dedicar à graduação. Natural de Jacarezinho (Norte Pioneiro), resolveu se mudar com o pai para Londrina há um ano, com o objetivo de estudar na UEL. ''Meu tio é vigia no campus e me falou do cursinho. Investi muito nos estudos porque eu enxerguei uma oportunidade, já que não teria condições de pagar por um cursinho. Todos os dias, eu atravessava a cidade para ir estudar no campus. Valeu a pena'', diz.
De acordo com Watson, as mudanças nas provas, que passaram a ser discursivas, foram, além de novidade, uma dificuldade. ''Meu pai se esforçou para que eu não trabalhasse e me dedicasse somente aos estudos. Além de ler artigos na internet, eu li duas vezes, todos os dez livros de literatura do vestibular'', comenta Watson, que também planeja dar aulas no CEPV. ''Acho que posso ajudar e também acredito que é um trabalho que faz muita diferença'', ressalta.
Carlos Ricardo Rafalski Cunha, de 20 anos, participou da festa realizada no Aterro do Igapó. ''É muito bom, agora é só festa e alegria. Fiquei três anos tentando entrar e agora é verdade. Ainda não estou acreditando'', conta o estudante, aprovado em Artes Visuais. (Colaborou Michelle Aligleri)


