Driblar as dificuldades financeiras para ajudar o próximo é o grande desafio das organizações não-governamentais (ONGs) londrinenses, que lutam diariamente para obter recursos. É o caso de uma equipe de voluntários do Grupo de Apoio a Pessoas com Câncer (Gapc), que promove, no próximo dia 20, um show com uma dupla sertaneja no Conjunto São Lourenço (Zona Sul), com ingressos a R$ 2 ou dois litros de leite longa vida.
Segundo a assistente social e coordenadora do Gapc, Maria de Lourdes Castellari, o grupo também irá realizar um bazar em abril, quando voluntários e usuários irão vender de enfeites de geladeira a móveis. ''O dinheiro arrecadado pelos voluntários será revertido ao Gapc, enquanto a soma das vendas dos usuários ficará com eles'', explica.
A estimativa mensal de gastos da organização chega perto dos R$ 50 mil, segundo Maria de Lourdes. Ela afirma que o valor é gasto na compra de cestas básicas, leite, suplementos alimentares e medicamentos para as cerca de 390 famílias cadastradas. ''Aqui o usuário recebe assistência completa, tanto material como psicológica e espiritual'', diz a coordenadora, lembrando que o projeto auxilia famílias com renda inferior a um quarto do salário mínimo. ''Mães em situação difícil cuidam do nosso bazar de roupa usada, a preços que variam entre R$ 0,50 a R$ 2, e recebem 50% da renda arrecadada'', conta.
Além do trabalho da assistente social, os usuários do Gapc contam com a ajuda de uma psicóloga, terapeutas de energização e uma advogada. A assistente social declara que para manter esta estrutura, além de contar com doadores mensais, a organização tem que batalhar de porta em porta por novos colaboradores. ''Promovemos diariamente campanhas em escolas e empresas, estamos sempre em contato com pessoas diferentes e algumas até oferecem produtos no lugar do dinheiro'', fala.
A diferença na assistência é sentida pelos usuários. Adriana Carolina Piovesan Carvalho, 18 anos, sofre desde os 11 de um tumor facial e depois que começou a frequentar o Gapc se sente mais equilibrada emocionalmente e fisicamente fortalecida para enfrentar a doença. ''Há dois anos venho sendo assistida pelo grupo e sempre que venho, saio daqui aliviada''.

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