Escrivão declara desconhecer caso
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terça-feira, 18 de fevereiro de 1997
Alexandre Sanches<br> Da Redação 
ALVORADA DO SUL - O escrivão Fernando Campos Cantero, de Alvorada do Sul (65 quilômetros ao norte de Londrina), contestou ontem as acusações de que teria cometido extorsão contra dois rapazes de Porecatu e declarou não ter nada a ver com o inquérito. A denúncia foi feita pelas supostas vítimas, Paulo Sérgio Ricardo Ramos, 28 anos, e Carlos Correia Dias, 21 anos.
Segundo a versão deles, foi preciso entregar uma moto Honda Today 91 para sair da cadeia por causa de uma acusação de porte ou tráfico de maconha, no domingo de Carnaval.
Foram indiciados, além do escrivão, dois PMs que fizeram a abordagem e o advogado Mauro Faidiga. A moto foi encontrada na casa do advogado. A Polícia Civil não divulgou os nomes dos PMs.
Cantero afirmou ter visto os PMs abordando os rapazes na madrugada de domingo, na rua. Como escrivão, vi que a abordagem dos policiais era de rotina e não iria dar em nada e não tomei providências, relata. Ele disse que em Alvorada do Sul não há plantões na delegacia nos finais de semana e nos feriados, por falta de policiais concursados.
Ele disse que foi à delegacia na segunda-feira e a encontrou vazia. Não havia nem boletim de ocorrência da PM. Fiquei sabendo da denúncia através do delegado Azevedo, quando fui chamado para ser ouvido no inquérito. O inquérito é presidido pelo delegado de Bela Vista do Paraíso, Luiz Carlos Azevedo.
Cantero confirmou que os PMs tem acesso a delegacia. A sede do destacamento da PM fica nos fundos da delegacia. Não posso afirmar nada, pois não presenciei qualquer ação naquele dia. Segundo o jargão jurídico, Cantero é escrivão ad doc, ou seja, nomeado pelo prefeito e não concursado.
Cantero informou que os policiais militares estão trabalhando normalmente. O comandante interino do 15º Batalhão da PM em Rolândia, major Rubens Guimarães de Souza, responsável pelos policiais, não foi encontrado ontem.


